As fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o avanço do crime organizado estiveram no centro das investigações conduzidas pelo Senado ao longo de 2025. No período, parlamentares avançaram nos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instalaram a CPI do Crime Organizado e concluíram as CPIs das Bets e da Manipulação de Apostas Esportivas.
Instalada em 20 de agosto, a CPMI do INSS realizou 29 reuniões até 4 de dezembro e deve retomar os trabalhos em fevereiro de 2026, com foco em fraudes envolvendo empréstimos consignados. As apurações iniciais indicam que sindicatos e associações firmaram convênios com o INSS para realizar descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização.
Na próxima fase, a comissão vai analisar suspeitas de assédio, concessão de empréstimos sem consentimento e renovações fraudulentas que teriam gerado dívidas impagáveis. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), estima que mais de 1,6 milhão de beneficiários tenham sido lesados. Segundo ele, há indícios de movimentações financeiras incompatíveis que podem chegar a R$ 1,2 bilhão.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), deve apresentar em fevereiro um balanço preliminar. O encerramento dos trabalhos está previsto para março de 2026, mas parlamentares já discutem a prorrogação do prazo diante do volume de documentos e da quantidade de pessoas a serem ouvidas. Até o momento, foram analisados 4,8 mil documentos, aprovadas 48 quebras de sigilo e identificadas 108 empresas suspeitas.
Durante as investigações, 26 testemunhas prestaram depoimento, entre elas ex-ministros da Previdência. Um dos casos de maior repercussão foi o de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema e preso preventivamente em setembro. De acordo com a CPMI, ele teria movimentado R$ 24,5 milhões em apenas cinco meses. Para o relator, trata-se do “maior roubo contra aposentados e pensionistas da história do país”.
A comissão também determinou prisões por falso testemunho e por suspeita de envolvimento direto nas fraudes, além de enfrentar dificuldades com depoentes que permaneceram em silêncio amparados por decisões judiciais. Mesmo assim, segundo Viana, foi possível revelar um esquema sofisticado operado por associações e empresas de fachada que se beneficiavam de acordos de cooperação técnica com o INSS.
O andamento da CPMI foi marcado por embates políticos entre base governista e oposição. Parlamentares divergiram sobre a origem das fraudes, com acusações que envolveram gestões dos governos Bolsonaro e Lula.
Além do INSS, o Senado instalou em 2025 a CPI do Crime Organizado, presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e relatada por Alessandro Vieira (MDB-SE). Em funcionamento desde novembro, a comissão tem investigado temas como lavagem de dinheiro, uso de criptomoedas, infiltração de facções no setor público, sistema prisional e rotas ilícitas. Para 2026, estão previstas oitivas com governadores, secretários de segurança e outras autoridades.
Ao longo do ano, também foram concluídas duas CPIs relacionadas a apostas on-line. A CPI das Bets encerrou os trabalhos sem aprovação do relatório final, enquanto a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas aprovou relatório que pediu o indiciamento de envolvidos e propôs mudanças legislativas para coibir fraudes no esporte.
Com investigações em diferentes frentes, o Senado encerra 2025 com CPIs que evidenciaram esquemas bilionários, disputas políticas e a promessa de aprofundamento das apurações no próximo ano.



