O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião de emergência para a próxima segunda-feira (12) com o objetivo de discutir a intensificação dos ataques da Rússia contra cidades ucranianas. A decisão foi tomada após o disparo de um míssil russo com capacidade nuclear contra o território da Ucrânia.
O estopim para o encontro foi o lançamento de um míssil Oreshnik contra a cidade de Lviv, na noite de quinta-feira (8). Considerado um dos armamentos mais avançados do arsenal russo, o míssil foi disparado a partir de uma região utilizada pela Rússia para testes nucleares. Segundo autoridades ucranianas, o projétil estava equipado com ogivas convencionais, e não nucleares, mas o governo de Kiev interpretou a ação como uma demonstração de ameaça do poder nuclear do Kremlin.
Diante do episódio, o embaixador da Ucrânia na ONU, Andriy Melnyk, enviou uma carta ao Conselho de Segurança solicitando providências. No documento, o diplomata afirma que a Rússia “atingiu um novo e assustador nível de crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, ao promover ataques contra civis e infraestrutura civil.
O episódio ocorre em meio a impasses nas negociações para um acordo de paz. Apesar de avanços nas conversas entre Ucrânia, países europeus e Estados Unidos, Moscou mantém exigências consideradas inaceitáveis por Kiev, como a retirada das tropas ucranianas de áreas ainda controladas na região de Donetsk e o compromisso formal de que a Ucrânia não ingressará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
No fim de dezembro, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que pretende alcançar seus objetivos “pela diplomacia ou pela força”. Para o Kremlin, a neutralidade da Ucrânia e o reconhecimento das mudanças territoriais ocorridas desde 2014 seguem como condições centrais para qualquer acordo.
Este não foi o primeiro ataque do tipo. Em 2024, a Rússia já havia utilizado um míssil Oreshnik contra a Ucrânia, também lançado a partir de uma área de testes nucleares. Na madrugada de sexta-feira (9), um novo ataque de grande escala atingiu Kiev. De acordo com o prefeito da capital, Vitali Klitschko, a ofensiva com drones deixou ao menos quatro mortos e 19 feridos.



