O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, juntou-se a uma declaração internacional de apoio à autonomia das autoridades monetárias globais. A assinatura do manifesto ocorre em um contexto de crescentes tensões políticas que visam influenciar as decisões de política monetária, inclusive com pressões direcionadas ao presidente do Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos, Jerome Powell.
A iniciativa, segundo o Banco Central, serve para reforçar a importância da autonomia técnica como um alicerce fundamental para a estabilidade econômica em nível mundial. O documento conjunto emerge em um momento onde a interferência política em decisões de política monetária tem sido observada tanto no cenário internacional quanto no doméstico brasileiro.
No manifesto, líderes de bancos centrais de diversas nações enfatizam que a independência institucional é crucial para garantir a estabilidade de preços e o bem-estar da população, sempre em conformidade com o Estado de Direito, a transparência e a responsabilidade democrática. Os signatários expressaram solidariedade a Jerome Powell, destacando sua atuação com integridade e foco em seu mandato.
Ao aderir a esta declaração, o Brasil se alinha a importantes instituições financeiras globais, como o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco de Compensações Internacionais (BIS). Autoridades monetárias do Canadá, Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália e Coreia do Sul também endossaram o documento.
O apoio internacional a Powell surge após ele relatar que o Departamento de Justiça dos EUA emitiu intimações a ele, no âmbito de uma investigação que o presidente do FED considera ser uma ferramenta de pressão política. Powell reafirmou seu respeito pelo Estado de Direito, mas também alertou sobre a ação sem precedentes dentro de um cenário de contínuas ameaças e pressões governamentais.
A divulgação do manifesto coincide com um período de atenção para o Banco Central brasileiro, especialmente após recentes debates sobre a autonomia da autoridade monetária no país. Representantes do mercado financeiro interpretam a defesa pública da independência dos bancos centrais como uma medida para fortalecer a confiança na condução técnica da política monetária, em um cenário global marcado por maior volatilidade e incertezas.



