Por José Rocha – Seu pai nasceu na antiga Capital Federal, o Rio de Janeiro, e veio para Manaus para trabalhar no governo de Silvério Nery. Posteriormente, dirigiu o centenário Jornal do Commercio. Aqui, casou-se com a filha de um coronel, e em 1906 nasceu o primogênito, um ilustre amazonense e amazonólogo.
Estudou o primário no Colégio Saldanha Marinho e concluiu o curso ginasial no famoso Colégio Dom Pedro II, onde demonstrou desde cedo sua inclinação para o jornalismo, escrevendo para o jornal colegial Gynnasiano. No dia seu aniversário de quatorze anos, saiu no jornal de propriedade de seu pai a seguinte matéria:
“Jovem ainda, trilhando a estrada ampla e luminosa de uma vida toda cheia de atrativos e expansões suaves, é uma promessa que se revela, pois alia à sua exemplar condução de um espírito inteligente e vivo, uma alma cheia de aspirações que só propendem para o esposamento de ideias nobres e elevadas. A sua maior preocupação é o estudo. No doce aconchego do lar, como no Gymnasio Amazonense, onde cursa com brilhantismo o terceiro ano de ciências e letras, jamais descurou de sua educação moral e espiritual, manuseando sempre com prazer os seus livros e ouvindo com desvelo as lições de seus mestres. Segue assim um belo exemplo de virtude e civismo, tomando como lema a frase de Raul Pompeia: Feliz é a alma que tenta, entre a florescência da juventude, o panorama imenso do futuro…”
Desde jovem, era visto como um intelectual que prometia grandes realizações voltadas para o engrandecimento de sua terra e de seu país — e assim se concretizou.
Foi para Belém estudar Direito e, depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se formou em 1927. No ano seguinte, retornou a Manaus para lecionar História no Colégio Dom Bosco e na Escola Normal. Atuou como jornalista na empresa de seu pai e, em 1930, tornou-se chefe do gabinete da Junta Revolucionária do Amazonas, com total apoio dos estudantes.
Em 1931, lançou o primeiro de cento e cinquenta livros que publicou ao longo da vida: História do Amazonas, obra que lhe rendeu o título de “Heródoto Caboclo” entre intelectuais do sudeste do país. Direcionou seus estudos a serviço de uma causa: a Amazônia.
Foi membro e presidente de dezenas de instituições, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), a Academia Amazonense de Letras (AAL), a SUDAM, o INPA/CNPq, a FGV, entre outras. Nessas entidades, realizou conferências e publicou documentos científicos sobre a história política, econômica e social da região amazônica.
Com a chegada dos militares ao poder, foi chamado para ocupar o cargo executivo mais alto do Estado do Amazonas, governando entre 1964 e 1967. Recebeu muitas críticas por integrar o governo dos “anos de chumbo”, período marcado por cassações e prisões políticas. A destruição da “Cidade Flutuante”, ocorrida em 1965, foi obra de sua administração. Em 1967, publicou o livro Como Governei o Amazonas, relatando os pormenores de sua gestão.
Após deixar o governo, tomou posse na Academia Amazonense de Letras. Declarou certa vez:
“Sou um homem modesto e pobre. Não possuo fortuna, nem imóveis. Apenas estou adquirindo um apartamento de sala e quarto que pretendo legar aos meus filhos. Possuo uma biblioteca com 12.000 volumes, o que considero a minha riqueza, pois sou um educador.”
Assumiu o Conselho Federal de Educação entre 1967 e 1972 e,
depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde lecionou em algumas faculdades. Faleceu naquela cidade em 7 de fevereiro de 1993.
O governo do Estado do Amazonas adquiriu seu acervo e inaugurou, em 6 de novembro de 2001, a Biblioteca Arthur Reis, localizada na Avenida Sete de Setembro, nº 444, Centro, no prédio que abrigou o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), do qual o ilustre professor e governador foi vice-presidente.
Atualmente, seu acervo bibliográfico reúne mais de vinte mil títulos, incluindo uma coleção especializada em assuntos da Amazônia e em diversas áreas do conhecimento: História, Política, Geografia, Economia, Antropologia, Sociologia, Direito, Folclore, Artes e Filologia, além de periódicos brasileiros e latino-americanos, encontra-se atualmente no Centro Cultural dos Povos da Amazônia (antiga Bola da Suframa).
Foi homenageado em vários bairros e escolas que receberam seu nome.
Mas, afinal, de quem estamos falando? Quem foi este ilustre amazonense e amazonólogo?
Meus amigos, a história deste homem é longa, mas deixou um nome para a história: Arthur Cézar Ferreira Reis.
Foto: Arthur Cézar Ferreira Reis, aos 14 anos. Jornal do Commercio.
Fontes: Diversas, obtidas em sites e trabalhos publicados na internet.
O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.
Se você gostou desta crônica e deseja apoiar meu trabalho de pesquisa, memória e escrita sobre Manaus e a Amazônia, sua colaboração será muito bem-vinda. Quem quiser, pode enviar qualquer valor pelo Pix: 9299153-7448. José Martins Soares.
Meu muito obrigado!



