A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgou projeções otimistas para o mercado automotivo brasileiro em 2024. A entidade estima um crescimento de 3% no licenciamento de automóveis e veículos comerciais leves, com a expectativa de mais de 2,6 milhões de unidades vendidas. Este segmento já havia apresentado um desempenho positivo em 2023, com um aumento de 2,58% sobre o ano anterior, totalizando 2,5 milhões de unidades comercializadas.
Ao considerar os segmentos de caminhões e ônibus, a projeção da Fenabrave para 2024 aponta para um crescimento ainda maior, de 3,02%, com uma meta de quase 2,8 milhões de unidades vendidas. No ano anterior, a soma de todos esses segmentos (automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões) registrou um avanço de 2,08%, alcançando 2,7 milhões de unidades licenciadas.
Apesar do cenário positivo, a economista da Fenabrave, Tereza Fernandez, ressalta que o setor poderia apresentar um desempenho ainda mais expressivo. Segundo ela, o alto endividamento das famílias e a perspectiva de juros mais persistentes do que o esperado são fatores macroeconômicos que limitam um crescimento mais acelerado. Ela compara o cenário atual com o pico de vendas de 2011, indicando que o mercado ainda tem potencial para expansão.
Quando todos os segmentos automotivos são considerados em conjunto – incluindo motocicletas, implementos rodoviários e outros veículos –, a Fenabrave projeta um crescimento de 6,10% para 2024. Este número é impulsionado, em grande parte, pelo segmento de motocicletas, que deve registrar uma expansão de aproximadamente 10%. Em 2023, todos os segmentos somados fecharam com um expressivo aumento de 8%, totalizando 5,1 milhões de unidades emplacadas.
No segmento de caminhões, que enfrentou desafios em 2023 devido a dificuldades de crédito e endividamento no setor agropecuário, a expectativa para 2024 é de um crescimento em torno de 3%. Tereza Fernandez destaca que este avanço ocorrerá sobre uma base comparativa negativa, já que o segmento de caminhões encerrou 2023 com uma queda de 8,65%. Ela aponta o programa do governo, Move Brasil, como um fator crucial para impulsionar o setor e evitar um resultado negativo.
A economista reforça que, apesar das projeções positivas, as condições macroeconômicas do Brasil continuam sendo um obstáculo para um crescimento mais robusto e sustentável. O risco inflacionário, que leva à manutenção dos juros em patamares elevados, e o risco fiscal são apontados como fatores que impedem o setor de atingir seu pleno potencial. Fernandez estima que o crescimento do segmento de caminhões poderia chegar a 5% ou 6%, dado o espaço e a necessidade logística que o modal rodoviário representa para a economia nacional.



