Um relatório alarmante divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que mais de 100 crianças perderam a vida na Faixa de Gaza desde o início de outubro do ano passado, período marcado por um acordo de trégua entre Israel e o Hamas. O porta-voz do Unicef, James Elder, descreveu a situação como trágica, com a morte de aproximadamente uma criança por dia, mesmo durante o período de cessar-fogo.
Segundo Elder, os registros do Unicef indicam a morte de pelo menos 60 meninos e 40 meninas em Gaza. Ele ressalta que este número é baseado em incidentes com detalhes suficientes para registro, sugerindo que o número real de vítimas infantis pode ser consideravelmente maior. Centenas de outras crianças ficaram feridas.
Em um vídeo divulgado diretamente de Gaza, Elder apresentou o caso de Abid Al Rahman, um menino de 9 anos que foi ferido por estilhaços de bomba enquanto coletava materiais em Khan Younis. Abid relatou ter perdido a visão de um olho devido ao impacto de um estilhaço que ainda permanece alojado em seu rosto.
O Unicef também denunciou as severas restrições impostas ao acesso de suprimentos essenciais em Gaza, incluindo medicamentos, combustível e peças para reparos em infraestruturas hídricas e de saneamento. Apesar das dificuldades, a organização da ONU reconheceu avanços pontuais durante o cessar-fogo, como a expansão de serviços de saúde, imunização e reparos em redes de água e esgoto, atribuídos à resiliência palestina e não à permissão de entrada de suprimentos.
Apesar dos esforços humanitários, as Forças Armadas de Israel alegam que grupos palestinos estariam violando o cessar-fogo, o que justificaria suas ações militares. Por outro lado, o Hamas acusa Israel de manter uma política de genocídio contra o povo palestino, especialmente através do bloqueio da ajuda humanitária.
Recentemente, o parlamento israelense aprovou uma lei proibindo a atuação de 37 organizações de ajuda humanitária em Gaza, incluindo Médicos Sem Fronteiras (MSF), sob a alegação de que essas organizações se recusariam a fornecer dados de seus funcionários palestinos ao governo de Benjamin Netanyahu. A MSF expressou preocupação com a violação da privacidade de seus colaboradores e com o risco que essa exigência impõe, especialmente após a morte de 15 de seus membros pelas forças israelenses.
Israel também determinou o corte de água, eletricidade e comunicações para instalações de organizações humanitárias, incluindo a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA). O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, alertou o governo israelense sobre a possibilidade de levar o país à Corte Internacional de Justiça (CIJ) em resposta a essas ações. A UNRWA já havia enfrentado restrições anteriores em outubro de 2024, com alegações israelenses de empregar militantes do Hamas, acusações que não foram comprovadas por investigações independentes. O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, condenou as medidas como um padrão de desrespeito ao direito internacional humanitário, enquanto o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, acusou a ONU de tentar intimidar Israel e de encobrir supostos crimes cometidos pela UNRWA.



