26.1 C
Manaus
quarta-feira, junho 3, 2026
Publicidadespot_img
InicioSaúdePesquisa aponta gene associado a mais de 90% dos casos de Alzheimer

Compartilhar

Pesquisa aponta gene associado a mais de 90% dos casos de Alzheimer

Um estudo internacional indica que mais de 90% dos casos de Alzheimer podem estar relacionados a variações específicas de um único gene, o APOE, reforçando o papel central da genética no desenvolvimento da doença. A pesquisa analisou dados genéticos de quase 500 mil pessoas e foi conduzida por cientistas do University College London (UCL), no Reino Unido, com publicação em 9 de janeiro na revista NPJ Dementia.

O gene APOE possui três variantes principais: E2, E3 e E4. A E2 está associada a efeito protetor, enquanto a E4 eleva significativamente o risco de Alzheimer. Até então considerada neutra, a variante E3, presente em cerca de 75% da população, também mostrou contribuição relevante para o risco da doença. Ao avaliar conjuntamente as variantes E3 e E4, os pesquisadores concluíram que o APOE pode estar envolvido na maioria esmagadora dos casos.

Segundo o epidemiologista genético Dylan Williams, da UCL, a compreensão tradicional sobre o risco genético era incompleta. “Ao considerarmos as contribuições das variantes E3 e E4, fica claro que o APOE pode estar implicado em quase todos os casos de Alzheimer”, afirmou em comunicado.

Cada pessoa herda duas cópias do gene APOE, formando seis combinações possíveis. Perfis como E4/E4 estão associados ao maior risco conhecido, enquanto E2/E2 indica menor probabilidade de desenvolver a doença. Essas combinações afetam a estrutura e a função da proteína produzida pelo gene, influenciando processos cerebrais como reparo neuronal, controle da inflamação e eliminação de placas beta-amiloides — um dos principais marcadores do Alzheimer.

Os autores defendem que o peso do APOE na doença pode ter sido subestimado e que intervenções direcionadas ao gene ou às vias moleculares associadas podem ampliar as possibilidades de prevenção e tratamento. Estimativas do estudo sugerem ainda que quase metade dos casos de demência pode ser atribuída ao APOE, não apenas ao Alzheimer.

Apesar da forte influência genética, os pesquisadores ressaltam que fatores como obesidade, isolamento social, distúrbios do sono e hábitos de vida também desempenham papel relevante e interagem de forma complexa com a genética. “Em doenças complexas como o Alzheimer, não há uma solução única. Mas compreender melhor o papel central do APOE amplia as estratégias para reduzir o risco ao longo da vida”, concluiu Williams.

O estudo não aponta uma causa única para a doença, mas indica que, sem a contribuição das variantes E3 e E4 do APOE, a maioria dos casos provavelmente não se desenvolveria, uma constatação que pode redefinir prioridades na pesquisa sobre o Alzheimer nos próximos anos.

COLUNISTAS

Siga-nos

LEIA TAMBÉM

Clima esquenta na PM depois que a família do Coronel Menezes passou a mandar na corporação

Circula em grupos de policiais no WhatsApp um texto...

Comerciante que se achava dono da rua teve telhado demolido e material apreendido pela prefeitura

Um telhado construído em cima de uma rua para...