A rápida expansão das aplicações de inteligência artificial (IA) deve provocar uma forte pressão sobre o mercado global de memórias nos próximos anos. Segundo estimativa publicada pelo Wall Street Journal, os data centers voltados para IA poderão absorver cerca de 70% de toda a produção mundial de chips de memória já em 2026, cenário que tende a provocar escassez de componentes, atrasos na fabricação de eletrônicos e aumento de preços para o consumidor final.
A demanda crescente por infraestrutura de IA tem superado a capacidade atual de oferta de memórias, especialmente de RAM, mas também de chips usados em SSDs e até discos rígidos. O impacto vai além de computadores e celulares, já que esses componentes são utilizados em televisores, dispositivos vestíveis, alto-falantes inteligentes e sistemas automotivos, afetando todo o setor de eletroeletrônicos.
Além da elevação dos custos, a escassez de chips pode atrasar a produção de equipamentos, reduzindo a oferta de produtos no mercado e pressionando ainda mais os preços. Outro fator que agrava o problema é a priorização, por parte dos fabricantes, de tecnologias de memória mais avançadas e rentáveis, como DDR5 e HBM, em detrimento de padrões mais antigos e amplamente utilizados.
De acordo com analistas, o cenário atual é comparável aos gargalos enfrentados pela indústria durante a pandemia de covid-19. Apenas no último trimestre de 2025, os preços das memórias subiram cerca de 50%. A Counterpoint Research estima que novos reajustes, entre 40% e 50%, podem ocorrer até o fim do primeiro trimestre de 2026.
Três empresas — Samsung, SK Hynix e Micron — respondem por mais de 90% da produção global de memórias RAM. A Micron, uma das líderes do setor, avalia que a crise de oferta não deve ser resolvida antes de 2028. Apesar dos investimentos anunciados para a construção de novas fábricas, especialistas alertam que a expansão da capacidade produtiva exige tempo, o que prolonga os efeitos da escassez no mercado global.



