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Severiano Porto: o arquiteto da floresta e as marcas que deixou em Manaus

Por José Rocha – Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto nasceu em 19 de fevereiro de 1930, em Uberlândia, Minas Gerais. Ainda criança, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde seu pai fundou o Colégio Brasil-América. Foi na Faculdade Nacional de Arquitetura que Severiano se formou e começou a desenhar um modo de habitar que parecia nascer do próprio clima.

A viagem para Manaus, em 1963, foi um encontro fortuito com um lugar que o prenderia para sempre. Viera a convite de um colega do colégio — filho do político Arthur César Ferreira Reis — e retornou em 1965, chamado pelo governador para reformar prédios públicos. As encomendas multiplicaram-se e, em 1966, já havia se mudado definitivamente para nossa cidade, que viria a transformar sua arquitetura.

Seu traço era simples e eloquente: telhados altos, ventilação cruzada, uso de madeiras regionais, integração com a paisagem — soluções diretas para problemas complexos. Projetava para o povo e para a natureza, obedecendo a uma regra que repetia como mantra:

“Aqui quem manda é o clima. A arquitetura tem que obedecer.” Não por acaso ganhou o apelido de “Oscar Niemeyer da Amazônia” e tornou-se referência mundial em arquitetura bioclimática.

Em Manaus, sua obra se espalhou pela cidade. Projetou o Parque Residencial Petros, o prédio da Suframa, a Estação de Hidrobiologia do INPA, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), os seis tanques da antiga COSAMA com capacidade para setenta mil litros, o Estádio Vivaldo Lima, o famoso Restaurante Chapéu de Palha, sua própria residência na antiga Rua Recife, o prédio da CAMTEL (atual Samel), a agência do BASA na Avenida Sete de Setembro, a loja Credilar (hoje Água de Manaus), o Fórum Enoch Reis, entre tantos outros trabalhos que ainda marcam a paisagem urbana.

Foi também professor de Arquitetura e Urbanismo na Faculdade de Tecnologia da Universidade do Amazonas, entre 1972 e 1998, formando gerações que aprenderam a olhar o edifício como extensão do clima e da floresta. Por levar o Amazonas ao destaque nacional e internacional, recebeu com justiça os títulos de cidadão do Amazonas e de Manaus, além de prêmios que coroaram sua carreira.

Precursor da sustentabilidade e defensor da madeira certificada, Severiano viu seu método ganhar universidades mundo afora: o “Método Severiano Porto” é hoje objeto de estudo em diferentes continentes. Para ele, a casa nunca foi apenas abrigo de alvenaria ou madeira — era o espaço onde se desenvolviam união e companheirismo, um verdadeiro lar.

Depois de 36 anos em Manaus, transferiu-se de volta para o Rio de Janeiro, instalando seu escritório em Niterói e recebendo o título de professor honoris causa da UFRJ, onde boa parte de seu acervo foi preservada. Em 10 de dezembro de 2020, aos noventa anos, Severiano Porto faleceu vítima da COVID-19.

Os manauaras de raiz reverenciam seu nome. Suas obras, muitas ainda de pé, continuam a testemunhar um modo de construir que respeita a floresta, o clima e o povo — lembrando que, quando a arquitetura é sensível, a cidade aprende a respirar.

Fontes:
Wikipedia
Jornal A Crítica
BlogdoRocha

O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

Se você gostou desta crônica e deseja apoiar meu trabalho de pesquisa, memória e escrita sobre Manaus e a Amazônia, sua colaboração será muito bem-vinda. Quem quiser, pode enviar qualquer valor pelo Pix: 9299153-7448. José Martins Soares. Meu muito obrigado!

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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