A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Barco de Papel, que investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos da Rioprevidência em títulos do Banco Master. Durante o cumprimento de mandado em Balneário Camboriú (SC), uma mala com dinheiro em espécie foi arremessada pela janela de um apartamento no momento em que os agentes chegavam ao local. O valor foi recuperado.
A ação cumpre dois mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados nas cidades de Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina. As ordens foram expedidas pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, diante de indícios de ocultação de provas e tentativa de interferência nas investigações.
O principal alvo é o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso desde 3 de fevereiro, na segunda fase da operação. Segundo a PF, ele é suspeito de direcionar cerca de R$ 1 bilhão para aplicações consideradas irregulares e de adotar medidas para dificultar a coleta de provas.
Além do dinheiro apreendido, os policiais recolheram dois veículos de luxo e dois celulares, que serão submetidos à perícia. A nova etapa da operação busca localizar e recuperar bens e documentos que teriam sido retirados de um imóvel já alvo de buscas em janeiro.
A investigação envolve a aquisição de Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central. Entre novembro de 2023 e julho de 2024, a Rioprevidência teria investido aproximadamente R$ 970 milhões nos papéis, considerados de alto risco e sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com a Polícia Federal, após a primeira fase da operação foram identificadas movimentações suspeitas, como retirada de documentos físicos, alterações em registros digitais, transferência de veículos de alto valor a terceiros e exclusão de imagens de câmeras de segurança. Esses elementos fundamentaram os pedidos de prisão e novas buscas.
Outros dois homens foram presos em um escritório de advocacia em Santa Catarina, suspeitos de auxiliar na retirada e ocultação de materiais ligados ao caso.
Para os investigadores, há indícios de que os aportes foram aprovados sem respaldo técnico adequado e podem ter favorecido interesses privados.
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