O Parlamento Europeu decidiu adiar a votação do acordo tarifário firmado com os Estados Unidos em meio à instabilidade provocada por novas medidas comerciais anunciadas pelo presidente Donald Trump e pela recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que limita a imposição de tarifas sem aval do Congresso.
O entendimento entre as partes estabelece uma tarifa máxima de 15% sobre a maioria das exportações da União Europeia destinadas ao mercado norte-americano. Apesar de já ter sido negociado, o acordo ainda depende de aprovação formal dos eurodeputados para entrar em vigor.
De acordo com o parlamentar Bernd Lange, o adiamento ocorre diante da necessidade de garantias de que Washington cumprirá os termos pactuados. O texto já havia sido retirado de pauta anteriormente, em janeiro, por causa de tensões diplomáticas envolvendo a Groenlândia.
Na última sexta-feira, a Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que o governo norte-americano utilizou de forma inadequada uma legislação de emergência para impor tarifas amplas a parceiros comerciais. A decisão impõe limites ao poder presidencial para adotar sobretaxas de maneira unilateral e afeta medidas aplicadas a diversos países, incluindo o Brasil.
Mesmo após o revés judicial, Trump anunciou a aplicação de uma nova tarifa global de 10% sobre importações, posteriormente elevada para 15%, alegando respaldo em outra base legal ainda não analisada pela Justiça. Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que países que tentarem se beneficiar da decisão da Corte poderão enfrentar tarifas ainda mais elevadas.
A Comissão Europeia informou que avalia os impactos da decisão judicial antes de definir os próximos passos. Segundo um porta-voz, o objetivo é preservar a previsibilidade para empresas e consumidores em um cenário de incerteza nas relações comerciais transatlânticas.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, participou de reunião com ministros do G7 e deve discutir os desdobramentos com representantes dos países-membros do bloco.



