A polilaminina, terapia experimental voltada ao tratamento de lesões medulares, permanece em fase inicial de testes clínicos e ainda não está disponível para comercialização. O projeto é desenvolvido pela pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália.
O medicamento está atualmente na Fase I de estudos clínicos, etapa que tem como principal objetivo avaliar a segurança da aplicação em seres humanos. Somente após essa fase poderão ser iniciadas análises mais amplas sobre a eficácia do tratamento.
Produzida em laboratório a partir da proteína laminina, substância naturalmente presente no organismo e ligada à estrutura dos tecidos , a polilaminina tem como objetivo estimular a regeneração de conexões nervosas danificadas na medula espinhal.
O protocolo adotado prevê aplicação única, diretamente na região da lesão, por meio de procedimento cirúrgico de curta duração. Após a intervenção, o paciente deve passar por reabilitação intensiva. A resposta ao tratamento pode variar conforme o tempo desde o trauma, a gravidade da lesão e o estado clínico do paciente.
Nesta etapa, os testes concentram-se em pacientes com lesões agudas, preferencialmente tratadas até 72 horas após o trauma. Casos subagudos também podem ser avaliados, embora com possibilidade de menor resposta terapêutica.
Para lesões crônicas, com mais de 90 dias, ainda não há comprovação científica suficiente sobre segurança e eficácia em humanos.
Sem registro definitivo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o tratamento só pode ser solicitado por meio do mecanismo de uso compassivo. A modalidade permite que pacientes com quadros graves e sem alternativas terapêuticas tenham acesso a medicamentos experimentais, desde que haja autorização regulatória e dados preliminares de segurança.
O processo exige análise individual, apresentação de documentação específica e cumprimento das normas vigentes. O medicamento não pode ser comercializado ou adquirido de forma direta.
Resultados iniciais apontam evolução funcional em alguns pacientes, incluindo recuperação parcial de movimentos. Especialistas, no entanto, destacam que relatos isolados não substituem evidências obtidas em estudos clínicos controlados.
Caso a segurança seja confirmada na Fase I, o medicamento deverá avançar para novas etapas de pesquisa, que avaliarão a eficácia em um número maior de participantes.



