A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar a abertura de investigação sobre o vazamento de mensagens extraídas de celulares apreendidos pela Polícia Federal (PF). A informação foi divulgada pelos advogados nesta sexta-feira (6).
De acordo com a defesa, o espelhamento dos dados dos aparelhos foi entregue aos advogados apenas no dia 3 de março. O HD contendo o material foi lacrado imediatamente na presença de autoridade policial, advogados e de um tabelião, como forma de preservar o sigilo das informações.
Apesar disso, mensagens que teriam sido retiradas dos celulares passaram a ser divulgadas por veículos de imprensa nos últimos dias, segundo os advogados, antes mesmo de a defesa ter acesso ao conteúdo completo.
Entre as informações divulgadas estariam conversas pessoais e supostos diálogos com autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes. A defesa afirma que os trechos publicados podem ter sido editados ou retirados de contexto e que também expõem terceiros que não teriam relação com a investigação.
No pedido encaminhado ao Supremo, os advogados solicitam a instauração de um inquérito para identificar a origem do vazamento e pedem que a autoridade policial apresente a lista de todas as pessoas que tiveram acesso ao conteúdo dos aparelhos apreendidos.
A defesa ressalta que o objetivo da solicitação não é investigar jornalistas ou terceiros que tenham recebido as informações, mas identificar quem, tendo o dever legal de custodiar o material sigiloso, pode ter descumprido essa obrigação.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, Vorcaro teria enviado uma mensagem ao ministro Alexandre de Moraes no dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025, questionando se havia “alguma novidade” ou se seria possível “bloquear” alguma medida.
A Polícia Federal afirma que a suposta conversa foi encontrada no celular do banqueiro após a prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando ele tentava embarcar em um jato particular com destino a Dubai, com escala em Malta.
Em nota ao jornal O Globo, o ministro Alexandre de Moraes negou ter trocado mensagens com Vorcaro e afirmou que não recebeu as mensagens mencionadas nas reportagens, classificando a informação como falsa.
Daniel Vorcaro é o principal investigado na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de emissão de cerca de R$ 50 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) sem lastro, além de possíveis crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O Banco Master ganhou destaque no mercado financeiro ao oferecer produtos de renda fixa com rendimentos acima da média. Em novembro de 2025, a instituição foi liquidada pelo Banco Central após descumprimento de normas do sistema bancário e agravamento de sua situação financeira.
Vorcaro foi preso duas vezes no âmbito da investigação. A primeira ocorreu em novembro de 2025, quando tentava deixar o país. A segunda prisão foi determinada na última quarta-feira (4) pelo ministro do STF André Mendonça, após a identificação de mensagens no celular do empresário com indícios de ameaças, corrupção e tentativa de interferência em decisões regulatórias.



