O Exército de Israel iniciou nesta sexta-feira (6) uma nova onda de ataques em larga escala contra o Irã e posições ligadas ao Hezbollah no Líbano. Segundo autoridades israelenses, as ações têm como alvo a “infraestrutura do regime” iraniano e marcam uma nova etapa do conflito no Oriente Médio.
Explosões foram registradas durante a madrugada em diferentes regiões de Teerã, capital iraniana, especialmente nas zonas leste e oeste. De acordo com a imprensa local, incluindo a emissora estatal Irib, diversos bairros foram atingidos pelos bombardeios.
Relatos de moradores indicam clima de medo na capital. Em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), um residente afirmou que muitas pessoas deixaram a cidade em busca de áreas mais seguras no interior do país. Apesar da tensão, serviços básicos e o funcionamento do comércio continuam ativos.
Segundo o correspondente da RFI em Teerã, os ataques começaram por volta das 5h30 no horário local (23h de quinta-feira em Brasília) e atingiram áreas onde há bases militares, delegacias e também prédios residenciais.
Autoridades iranianas informaram que ao menos 20 pessoas morreram em bombardeios na cidade de Chiraz, no sul do país. Outras localidades, como Ispahan e Karaj, também foram alvo de ataques.
No sétimo dia de guerra, o Irã mantém sua capacidade de resposta. A Guarda Revolucionária anunciou o lançamento de novos mísseis em direção a Tel Aviv. Explosões já haviam sido registradas na cidade na noite de quinta-feira (5), mas não houve registro de vítimas.
Países do Golfo também relataram incidentes. Arábia Saudita e Catar informaram ter interceptado drones e mísseis iranianos direcionados a bases aéreas. No Bahrein, um hotel e outros edifícios foram atingidos.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, general Ali Mohammad Naini, afirmou que o Irã passará a utilizar armamentos “mais potentes” a partir desta sexta-feira. Segundo ele, desde o início do conflito as forças iranianas já lançaram cerca de 2 mil drones e centenas de mísseis contra alvos inimigos.
No Líbano, ataques israelenses foram registrados durante a noite em pelo menos seis localidades no sul do país. A agência oficial de notícias Ani informou que não houve vítimas até o momento.
Na capital, Beirute, moradores relataram a noite mais intensa desde o início da guerra. Bombardeios atingiram áreas da periferia sul, deixando ruas cobertas por destroços e prédios destruídos.
Israel também ordenou o avanço de suas tropas terrestres em direção ao território libanês para ampliar a zona de controle ao longo da fronteira. Em resposta, o grupo Hezbollah orientou a evacuação de cidades israelenses localizadas a menos de cinco quilômetros da fronteira e reivindicou ataques com foguetes e artilharia contra posições militares israelenses.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, ao menos 123 pessoas morreram desde o início da ofensiva israelense no país.
O chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, afirmou na quinta-feira (5) que a guerra entrou em uma nova fase. De acordo com ele, a primeira etapa teve como objetivo estabelecer superioridade aérea e neutralizar parte do sistema de mísseis balísticos do Irã.
Agora, segundo o militar, a operação passa para um estágio voltado a enfraquecer as capacidades militares iranianas e desmantelar o regime de Teerã.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que, neste momento, não considera enviar tropas terrestres ao Irã. Em entrevista à NBC News, o líder republicano disse que uma intervenção desse tipo seria “perda de tempo”, embora tenha defendido mudanças na liderança iraniana.
O conflito, que envolve diretamente Israel, Irã e grupos aliados como o Hezbollah, já provoca escalada militar em diferentes regiões do Oriente Médio e preocupa a comunidade internacional.



