O Exército de Israel anunciou nesta segunda-feira (16) o início de “operações terrestres limitadas e direcionadas” no sul do Líbano contra posições do Hezbollah, grupo aliado do Irã. Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), a ação tem como objetivo reforçar a zona de defesa ao longo da fronteira entre o norte israelense e o território libanês.
De acordo com comunicado militar, as operações fazem parte de uma estratégia para ampliar a postura defensiva na região, incluindo a destruição de infraestruturas do Hezbollah e a eliminação de combatentes que atuam na área. A meta, segundo o Exército, é aumentar a segurança para os moradores do norte de Israel.
Antes da incursão terrestre, Israel informou ter realizado ataques aéreos e de artilharia contra alvos ligados ao grupo no Líbano. O país entrou diretamente no conflito no Oriente Médio em 2 de março, após o Hezbollah lançar ataques contra Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro durante um bombardeio israelense em Teerã.
Em retaliação, Israel intensificou os bombardeios contra o território libanês. Autoridades locais informam que cerca de 850 pessoas morreram desde o início da ofensiva, enquanto mais de 830 mil foram deslocadas e aproximadamente 130 mil ficaram desabrigadas.
No domingo (15), um ataque israelense no sul do Líbano matou um dirigente do Hamas, aliado do Hezbollah, segundo informações do próprio movimento palestino. O grupo afirmou ainda ter atingido uma base aérea no centro de Israel com um “míssil sofisticado”.
Ainda no domingo à noite, Israel voltou a bombardear a periferia sul de Beirute após emitir alertas para que moradores deixassem diversos bairros da região. No sul do Líbano, integrantes da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) também relataram ter sido alvo de disparos.
Israel também intensificou ataques contra a capital iraniana, Teerã. Novas explosões foram registradas ao meio-dia desta segunda-feira, após uma série de bombardeios durante a madrugada.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os ataques contra depósitos de combustível na capital violam o direito internacional e classificou as ações como “ecocídio”.
Em resposta, o Irã tem realizado ataques contra bases militares e interesses econômicos dos Estados Unidos em países do Golfo, além de atingir infraestruturas civis, como aeroportos, portos e instalações petrolíferas.
Nos Emirados Árabes Unidos, o aeroporto de Dubai, um dos maiores centros de transporte aéreo do mundo retomou as operações após ficar várias horas fechado devido a um ataque com drone que provocou incêndio em um tanque de combustível. Outro ataque semelhante atingiu a zona industrial petrolífera de Fujairah.
A Arábia Saudita informou ter interceptado 61 drones no leste do país nesta segunda-feira. Apesar das tensões, os preços do petróleo mostram sinais de estabilização, próximos de US$ 100 por barril.
Na tentativa de conter impactos no mercado energético, países da Agência Internacional de Energia (AIE) decidiram liberar 400 milhões de barris de reservas estratégicas, medida considerada histórica. O Japão também começou a utilizar parte de seus estoques, liberando volume equivalente a 15 dias de consumo nacional.
Em entrevista ao jornal Financial Times, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a China enviem navios de guerra para patrulhar o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás liquefeito.
Trump também afirmou estar discutindo com o Irã uma possível solução para encerrar o conflito, embora reconheça que Teerã ainda não esteja totalmente disposto a um acordo. O governo iraniano não confirmou negociações.
No domingo, o presidente da França, Emmanuel Macron, declarou ter conversado com o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, e pediu o fim imediato dos ataques iranianos contra países da região. Segundo Macron, a escalada do conflito pode mergulhar o Oriente Médio em um cenário de instabilidade com consequências duradouras.



