A investigação sobre a morte do menino Benício ganhou novos desdobramentos e aponta para uma possível fraude processual envolvendo a médica Juliana Brasil. Segundo o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, mensagens encontradas no celular da profissional indicam que ela teria encomendado um vídeo adulterado para ser apresentado à Justiça.
De acordo com a polícia, o material foi anexado a um pedido de habeas corpus com a finalidade de induzir o Judiciário ao erro. As conversas analisadas sugerem que a própria médica teria participado da articulação para a produção do conteúdo.
As apurações também indicam que Juliana Brasil contou com o auxílio de outra médica, que teria sugerido o pagamento a um profissional de saúde de outra unidade hospitalar para criar o vídeo manipulado. O objetivo seria atribuir, de forma indevida, a responsabilidade pela administração incorreta de adrenalina a uma suposta falha no sistema hospitalar.
No entanto, laudos periciais já realizados descartaram problemas técnicos. Conforme o delegado, vistorias feitas na unidade apontaram que o sistema funcionava normalmente, sem qualquer irregularidade.
A etapa final de depoimentos foi encerrada nesta segunda-feira (23), quatro meses após a morte da criança, que ocorreu após a aplicação intravenosa de adrenalina. Entre os depoentes está Giovana Brasil, irmã da médica, apontada como participante das tratativas relacionadas ao vídeo. Ela compareceu acompanhada de advogado, mas exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Segundo Marcelo Martins, as provas reunidas até o momento são consideradas consistentes e indicam tanto a possível fraude quanto a responsabilidade no caso. A conclusão do inquérito depende agora do laudo final do Instituto Médico Legal (IML).
A defesa da médica afirma que a responsabilidade pela morte seria da equipe da UTI, alegando que o óbito ocorreu horas após o atendimento inicial. A polícia, por sua vez, destaca que o resultado das perícias será decisivo para esclarecer o caso.



