O ex-presidente Jair Bolsonaro passou o primeiro fim de semana em prisão domiciliar após deixar o hospital onde estava internado, em Brasília. A transferência para a residência, localizada no condomínio Jardim Botânico, ocorreu na última sexta-feira (27), por autorização judicial.
A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e impõe uma série de restrições ao ex-presidente. Entre elas, estão a proibição do uso de celular, acesso a redes sociais e qualquer forma de comunicação externa. As limitações também se estendem a terceiros, incluindo familiares, mantendo Bolsonaro incomunicável.
Apesar de concedida por razões humanitárias, a prisão domiciliar mantém o regime fechado. A decisão judicial estabelece que apenas o local de cumprimento da pena foi alterado, em função do estado de saúde do ex-presidente, preservando as mesmas regras aplicadas durante sua detenção anterior no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.
O controle de acesso à residência é rigoroso. As visitas estão autorizadas somente às quartas-feiras e aos sábados, mediante agendamento prévio e autorização da Justiça. Uma exceção foi aberta ao senador Flávio Bolsonaro, que integra a equipe de defesa do pai. Visitantes passam por revista, têm aparelhos eletrônicos recolhidos e são monitorados por esquema de segurança que inclui a atuação constante da Polícia Militar no entorno do imóvel.
O caso ganhou repercussão no sábado (29), após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmar, durante participação em um evento do Partido Conservador nos Estados Unidos, que o pai assistiria às imagens da conferência. A declaração levantou suspeitas de possível descumprimento das medidas impostas pelo STF.
Posteriormente, Eduardo recuou e afirmou que não havia especificado quando o ex-presidente teria acesso ao conteúdo. O episódio ampliou a pressão política e jurídica em torno do cumprimento das restrições.
Caso haja descumprimento das regras, Bolsonaro pode perder o benefício da prisão domiciliar e retornar ao regime prisional convencional ou ser encaminhado a uma unidade hospitalar com custódia. Até o momento, não houve manifestação oficial do STF sobre o episódio.



