Uma proposta de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã prevê a suspensão dos confrontos por um período entre 15 e 45 dias, com o objetivo de viabilizar negociações diretas entre Washington e Teerã. A iniciativa é mediada por interlocutores paquistaneses e surge após cinco semanas de conflito no Oriente Médio.
Apesar do esforço diplomático, o avanço das tratativas enfrenta entraves. O governo iraniano condiciona a reabertura do Estreito de Hormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, ao início de negociações formais, rejeitando prazos impostos pelos norte-americanos.
Em resposta, o presidente Donald Trump elevou o tom e afirmou que, caso a passagem não seja liberada até terça-feira, forças dos Estados Unidos e de Israel poderão atacar infraestruras civis iranianas, como redes elétricas e pontes. A possibilidade de ofensivas contra alvos civis tem gerado preocupação na comunidade internacional, com especialistas apontando risco de violação do direito internacional humanitário.
Enquanto as negociações avançam lentamente, os confrontos seguem intensos. Bombardeios e ataques com drones atribuídos a forças norte-americanas e israelenses deixaram ao menos 25 mortos no Irã, incluindo Majid Khademi, apontado como chefe de inteligência da Guarda Revolucionária. Em retaliação, mísseis iranianos atingiram a cidade de Haifa, em Israel.
O impasse coloca o governo iraniano diante de uma decisão estratégica: aderir à trégua e reduzir a pressão militar e econômica, ou manter o bloqueio no Estreito de Hormuz, o que pode agravar a crise energética global e provocar novos ataques contra a infraestrutura do país.
Diante do prazo estabelecido, mediadores intensificam esforços para evitar que o conflito evolua para uma escalada regional de maiores proporções.



