A Anthropic anunciou, na terça-feira (7), o lançamento do modelo de inteligência artificial Claude Mythos Preview, ainda em fase beta e com acesso limitado a um grupo seleto de empresas de tecnologia. A restrição, segundo a companhia, ocorre devido ao alto potencial da ferramenta para identificar vulnerabilidades e, consequentemente, ser explorada em ciberataques.
De acordo com a desenvolvedora do Claude, o novo sistema demonstrou capacidade de encontrar falhas de segurança em “todos os principais sistemas operacionais e navegadores” quando orientado por usuários, o que elevou o nível de preocupação entre empresas do setor tecnológico.
O acesso ao Mythos foi inicialmente concedido apenas a integrantes do Project Glasswing, consórcio que reúne gigantes como Apple, Google, Amazon Web Services e Cisco. A iniciativa tem como objetivo fortalecer mecanismos de cibersegurança antes de uma possível liberação mais ampla da tecnologia.
O anúncio ocorre em meio à crescente preocupação com o uso de inteligência artificial em ataques virtuais. Recentemente, a OpenAI divulgou alertas sobre os riscos associados a modelos mais avançados, enquanto a própria Anthropic já havia manifestado preocupação semelhante em 2025.
A divulgação do novo modelo foi antecipada após o vazamento de informações sobre o projeto, conhecido internamente como “Capybara”, conforme reportado pelo The New York Times. Até o momento, a empresa não detalhou o funcionamento completo da ferramenta, reforçando a decisão de manter o acesso restrito.
Segundo a empresa de cibersegurança CrowdStrike, o uso de inteligência artificial em ataques digitais já permite desde a identificação de vulnerabilidades até a automação de invasões, além da personalização de golpes e seleção de alvos mais estratégicos.
O debate sobre os riscos da tecnologia não é recente. Em 2019, a OpenAI optou por adiar o lançamento do modelo GPT-2, citando preocupações com desinformação e uso indevido. A liberação ocorreu de forma gradual ao longo daquele ano.
Diante desse cenário, empresas do setor têm buscado alternativas para equilibrar inovação e segurança, ampliando parcerias e mecanismos de controle no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.



