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Peaky Blinders: O Homem Imortal — um final apressado para uma lenda

Por Vinícius Andrade – Peaky Blinders: O Homem Imortal tem como seu maior erro o fato de não ser uma sétima temporada e de não poder contar com oito episódios — algo que ajudaria, e muito, esse projeto, que infelizmente resultou em um filme apressado de apenas 1h54. Mas calma, vamos analisar direitinho o que funcionou e o que deixou a desejar…

Começando, claro, pelo seu maior erro: ter sido feito como filme em vez de ganhar mais uma temporada para fechar o arco. Não é que o filme seja ruim, mas ele é curto demais para uma história que exigia muito mais do que entrega. Seus 1h54 são insuficientes para encerrar os arcos que a série deixou em aberto e também para aproveitarmos melhor a narrativa apresentada, já que, quando ela começa a se desenvolver de verdade, o filme simplesmente acaba — e isso prejudica muito a experiência.

Tudo parece apressado. Os acontecimentos se desenrolam rápido demais, e a impressão que fica é a de que o diretor apenas quis encerrar tudo de uma vez, condensando o roteiro de uma possível nova temporada em um único filme.

É nítido que isso aqui não foi pensado para ser um filme. Fica claro que uma temporada com oito episódios seria o ideal, pois haveria tempo suficiente para desenvolver todos os temas que o longa apresenta. Porém, infelizmente, temos uma história contada às pressas — e eu entendo perfeitamente quem critica o filme, quem o considera um final injusto ou até ruim. Isso é válido, afinal estamos falando de Peaky Blinders, estamos falando de Thomas Shelby…

Thomas Shelby é um personagem único, que ficou marcado na história como um dos maiores das séries de TV, e que, infelizmente, não teve o final grandioso que merecia. Mas isso significa que eu concordo com essas críticas? Posso afirmar que não…

Diferente de muitos que assistiram ao filme e se decepcionaram, eu não compartilho dessa frustração. Claro, concordo plenamente que isso deveria ter sido mais uma temporada, ou ao menos um filme mais longo e menos apressado. Porém, terminei esse filme chorando igual um desgraçado, então não posso dizer que o roteiro, embora corrido, não tenha sido suficiente para me emocionar com a despedida de Thomas.

É uma despedida tocante, bonita. Thomas tem uma presença muito forte aqui, assim como na série, e Cillian Murphy entrega uma atuação impressionante, trazendo um Tommy diferente — mais introspectivo, mais humano, mas ainda carregando todo o peso que sempre definiu o personagem.

Não é o mesmo Tommy Shelby da série, não é mais aquele gângster implacável de antes. O tempo passou e, como acontece com qualquer homem, ele envelheceu e passou a sentir o peso de tudo o que fez ao longo da vida. Aqui, tenta consertar algumas coisas, como a relação com seu filho mais velho, interpretado por Barry Keoghan, que também está brilhante. Os dois têm uma ótima química, e as cenas entre eles funcionam muito bem.

E é com pesar que digo que são praticamente apenas eles dois que realmente têm algo a oferecer neste filme tão ligeiro.

O filme é basicamente isso: Tommy exilado; um vislumbre dos Peaky Blinders sendo comandados por seu filho; e um plano envolvendo os nazistas para afetar a economia da Inglaterra. Então, Tommy retorna — e, no momento em que coloca sua icônica boina e seu sobretudo, faltam pouco mais de 40 minutos para o filme acabar. E eu fico tipo: “só isso? Já vai acabar?”

Com o perdão da palavra, Peaky Blinders: O Homem Imortal acaba sendo como algo que não se desenvolve direito e termina antes de realmente engrenar. O antagonista é esquecível, não tem o devido desenvolvimento e parece estar ali apenas para cumprir função: mostrar que é cruel e eliminar um personagem querido — e só.

E, já que entramos nesse assunto, bora falar sobre a polêmica decisão que o filme toma…

E aí vem a decisão mais polêmica do filme: a morte de Arthur pelas mãos do próprio irmão. Quem foi o cara que teve essa ideia, bicho??

Assim, é uma escolha no mínimo questionável. Não é impossível dentro da narrativa, mas ainda assim soa estranha — e eu entendo completamente quem ficou revoltado com isso. Foram seis temporadas reforçando que a coisa mais importante para o Tommy sempre foi a família… e aí, no fim, ele mata o próprio irmão?

Eu sei que o ator que interpreta o Arthur enfrentou problemas pessoais e não pôde participar como deveria, mas será que precisava chegar a esse ponto? Sinceramente, foi uma decisão bem infeliz. Arthur Shelby merecia um final muito melhor.

Após esse forte desabafo sobre essa decisão desastrosa, posso dizer que também tive bons momentos ao assistir ao filme — e é por isso que não o considero ruim. Ele respeita, em grande parte, seu personagem principal, embora a decisão de fazê-lo matar o próprio irmão contradiga isso. Ainda assim, fora esse ponto, nada tira a aura de Tommy Shelby.

O filme tem ótimos momentos de interação entre os personagens. A cena da morte de Ada é extremamente emocionante, e a despedida de Tommy é mais uma demonstração de atuação em nível altíssimo por parte de Cillian Murphy. A ação, embora mais cadenciada, funciona bem, e o desfecho do nosso personagem é tocante.

Eu chorei, consegui me despedir… e, no fundo, sinto que não havia outro destino possível para ele.

Filme: Peaky Blinders: O homem Imortal

Sinopse:  Ambientado em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha Thomas Shelby saindo de seu autoexílio após descobrir que seu filho está envolvido em uma conspiração nazista. De volta a Birmingham, ele precisa enfrentar seus próprios demônios enquanto tenta proteger sua família — e o próprio país — em um dos momentos mais perigosos de sua vida.

Data de Lançamento: 20/03/2026

Streaming: Netflix

Elenco: Cillian Murphy, Barry Keoghan, Rebecca Ferguson, Sophie Rundle, Tim Roth

O autor é estudante, crítico de cinema e fã de filmes e séries

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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