Informações do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados apontam que servidores da alta cúpula administrativa receberam valores expressivos em horas extras no início de 2026. O levantamento, divulgado pelo Metrópoles, levanta dúvidas sobre a compatibilidade entre os montantes pagos e os limites estabelecidos pelas normas internas da Casa.
Em março, o diretor-geral Guilherme Barbosa Brandão recebeu R$ 22.931,04 em horas extras. Pelas regras vigentes, que permitem até duas horas adicionais por dia útil , o valor só seria possível com a realização de extensas jornadas em fins de semana, chegando a até 25 horas extras por dia.
O advogado-adjunto Daniel Borges de Morais também aparece entre os maiores beneficiados, com R$ 17.178,61 no mesmo mês. Mesmo considerando o limite semanal de dez horas extras, ainda haveria diferença de cerca de R$ 5 mil para alcançar o total registrado.
Já o diretor administrativo Mauro Limeira Mena Barreto recebeu R$ 21.807,56 sob a rubrica “outras remunerações eventuais”, que inclui horas extras. Para atingir esse valor dentro das regras, seria necessário extrapolar significativamente a carga adicional permitida, incluindo trabalho intenso aos fins de semana.
Dados obtidos sob reserva indicam que cerca de 70 servidores receberam mais de R$ 10 mil em adicionais do tipo.
O maior volume acumulado é de Daniel Borges de Morais, que soma R$ 428 mil em horas extras desde 2023. Somente em 2025, ele recebeu R$ 171,4 mil.
O recorde mensal também pertence ao servidor: em dezembro de 2024, foram R$ 33,5 mil pagos em horas extras, superando o salário-base do período. Pelas regras internas, mesmo com jornadas extras diárias, o teto seria de R$ 11,1 mil, o que indicaria a necessidade de trabalho contínuo durante todos os dias do mês.
Outros integrantes da cúpula também registraram valores elevados em 2025, como Guilherme Brandão (R$ 157,8 mil), Mauro Barreto (R$ 151,7 mil) e o diretor de tecnologia da informação, Sebastião Neiva Filho (R$ 134 mil).
Funcionários da Câmara, sob condição de anonimato, questionam a viabilidade dessas jornadas. Segundo eles, diretores dependem do apoio de equipes para dar andamento a processos, o que dificultaria a atuação efetiva em fins de semana.
O coordenador da Comissão Permanente de Disciplina (Coped), Thiago de Matos Lauria, também recebeu R$ 22 mil em dezembro do ano passado na mesma categoria de remuneração.
Em nota, a Câmara dos Deputados afirmou que os servidores exercem jornadas superiores a 40 horas semanais e que o controle de frequência é feito por sistema eletrônico biométrico, inclusive aos fins de semana. Segundo a instituição, todos os pagamentos de horas extras passam por autorização prévia, justificativa formal e registro no ponto, em conformidade com a legislação e normas internas.



