O Congresso da Bolívia aprovou uma nova legislação que amplia a atuação das Forças Armadas em conflitos internos, em meio à escalada de protestos e bloqueios de estradas que atingem o país há quase um mês. A medida permite ao presidente Rodrigo Paz recorrer ao estado de sítio caso a crise continue avançando.
A decisão foi aprovada inicialmente pelo Senado e confirmada pela Câmara dos Deputados em sessão virtual, realizada devido ao isolamento de La Paz provocado pelos bloqueios nas rodovias. O governo argumenta que a mudança é necessária para conter episódios de violência e garantir a circulação de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Segundo o deputado Carlos Alarcón, autor da proposta, a nova lei fortalece a capacidade do Estado diante do cenário de “caos e anarquia” provocado pelos manifestantes. Já setores da oposição criticaram a medida e alertaram para o risco de aumento da repressão militar contra movimentos sociais.
Os protestos são liderados por sindicatos, grupos indígenas e apoiadores do ex-presidente Evo Morales. As manifestações começaram com reivindicações econômicas e trabalhistas, mas evoluíram para pedidos de renúncia do presidente Rodrigo Paz.
Atualmente, cerca de 60 bloqueios seguem ativos em diferentes regiões do país, agravando o desabastecimento em cidades como La Paz, El Alto, Cochabamba, Oruro e Potosí. Nos últimos dias, confrontos entre policiais e manifestantes deixaram feridos e ao menos uma morte.
Especialistas avaliam que o governo ganhou um instrumento de pressão importante, mas alertam que o uso das Forças Armadas pode ampliar ainda mais a tensão social. A cientista política Lily Peñaranda afirmou que uma eventual repressão militar pode fortalecer os protestos caso ocorram vítimas fatais.
Em meio à crise, países como Brasil, Argentina, Chile, Peru e Estados Unidos anunciaram envio de ajuda humanitária para auxiliar a população afetada pela escassez de produtos básicos.
O governo boliviano também acusa Evo Morales de atuar nos bastidores para estimular os protestos e tentar desestabilizar a atual gestão. O ex-presidente nega as acusações e defende eleições antecipadas como saída para a crise política.



