O Google manifestou preocupação com possíveis impactos à segurança digital diante de mudanças em discussão na legislação da União Europeia voltada ao setor de tecnologia. Segundo Heather Adkins, vice-presidente de Engenharia de Segurança da empresa, as novas regras podem aumentar a vulnerabilidade a ciberataques.
As propostas fazem parte do Digital Markets Act (DMA), aprovado em 2022, e têm como objetivo ampliar a concorrência no mercado digital europeu, reduzindo a vantagem de grandes empresas de tecnologia sobre concorrentes locais. Entre as medidas em debate está a exigência de maior abertura de dados por parte de plataformas como o Google, incluindo informações relacionadas a buscas e ao sistema operacional Android.
De acordo com Adkins, a ampliação desse acesso poderia facilitar a atuação de hackers, que teriam maior capacidade de explorar dados sensíveis, como padrões de pesquisa relacionados à segurança digital e detalhes técnicos do Android. A executiva alerta ainda para a possibilidade de aumento em casos de fraude no continente.
As mudanças não afetam apenas o Google, mas também outras big techs, como Amazon, Apple, Meta e Microsoft. No entanto, a empresa afirma que, no caso do buscador, os impactos seriam mais diretos por conta da natureza dos dados envolvidos.
Críticos da proposta, incluindo representantes do Google, afirmam que a tentativa de anonimização das informações pode não ser suficiente para proteger usuários, alegando que ainda seria possível reidentificar indivíduos a partir dos dados compartilhados. Já defensores da medida sustentam que as regras incluem restrições de uso e mecanismos de proteção à privacidade.
A discussão também se estende ao Android. Segundo o Google, uma abertura mais ampla do sistema operacional poderia permitir que empresas de inteligência artificial acessassem permissões sensíveis de dispositivos, como microfones, câmeras e informações exibidas na tela. A empresa argumenta que isso poderia ampliar riscos caso não haja salvaguardas adequadas.
A Comissão Europeia deve concluir a definição das novas regras até 27 de julho. Enquanto isso, o debate segue dividido entre a promoção da concorrência no setor e possíveis impactos à segurança digital de usuários na Europa.



