Representantes do Líbano e de Israel iniciaram nesta terça-feira (14), em Roma, uma nova rodada de negociações mediadas pelos Estados Unidos com o objetivo de avançar na implementação de um acordo para reduzir as tensões na fronteira entre os dois países. Apesar da retomada do diálogo, autoridades libanesas avaliam que as chances de avanços rápidos são limitadas.
As conversas, previstas para durar dois dias na embaixada norte-americana na capital italiana, buscam definir a aplicação de um acordo-quadro que prevê a retirada gradual das tropas israelenses do sul do Líbano, o fortalecimento da presença do Exército libanês na região e medidas voltadas ao desarmamento do Hezbollah.
Segundo fontes do governo libanês, a escolha de Roma como sede das negociações facilita o contato das delegações com seus respectivos governos durante o andamento das tratativas.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou que a implementação do acordo é “o único caminho possível” para reduzir as tensões e disse que o governo israelense pretende demonstrar boa vontade nas negociações. Ele destacou que Israel está disposto a avançar na criação de duas zonas-piloto no sul do Líbano, onde estão previstas a retirada das forças israelenses, o desarmamento do Hezbollah e o envio de tropas libanesas.
Já o presidente do Líbano, Joseph Aoun, orientou a delegação de seu país a exigir o início imediato da retirada das tropas israelenses dessas áreas antes da continuidade das discussões.
Impasse permanece
O acordo discutido em Washington no fim de junho previa o encerramento do conflito, o desarmamento de grupos armados — em referência ao Hezbollah —, o reforço da presença militar libanesa no sul do país e a retirada progressiva das forças israelenses.
Entretanto, os confrontos continuaram após o anúncio do entendimento. O Hezbollah rejeitou os termos do acordo e se opôs às propostas de desarmamento, enquanto o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que manterá tropas no sul do Líbano enquanto o grupo permanecer armado.
Atualmente, Israel mantém uma zona de segurança de aproximadamente 10 quilômetros em território libanês ao longo da fronteira, justificando a medida como necessária para proteger comunidades do norte israelense contra possíveis ataques do Hezbollah.



