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Teatro Gebes Medeiros recebe peça que aborda memória e futuro de pessoas trans

O espetáculo “Senhora Travesti” volta ao palco nesta quinta-feira (30), em Manaus, com uma proposta de refletir sobre o envelhecimento, a memória e a permanência dos corpos trans. A apresentação será realizada às 19h30, no Teatro Gebes Medeiros, com entrada gratuita e classificação indicativa de 16 anos.

A montagem é a nova produção da Companhia Transversal de Artes Integradas, coletivo artístico independente formado por pessoas trans na capital amazonense. A obra busca criar novas perspectivas sobre a existência travesti a partir de temas como espiritualidade, afetos, resistência e histórias de vida.

Fundada em 2022 pela atriz, diretora e produtora Nicka, a companhia surgiu com a proposta de garantir espaço para que artistas trans pudessem desenvolver pesquisas, criar obras e ocupar a cena cultural com autonomia e protagonismo.

Ao longo da trajetória, a Transversal tem desenvolvido trabalhos que unem teatro e audiovisual com foco em narrativas LGBTQIAPN+ e experiências de pessoas trans na Amazônia. Entre as produções do grupo estão o espetáculo “Viper Paradise” e o curta-metragem “O Extraordinário Evanescer”.

Em “Senhora Travesti”, a dramaturgia parte de uma questão central: o direito de pessoas trans envelhecerem em uma sociedade marcada por preconceitos e violências. A peça reúne elementos de memórias individuais e coletivas para abordar temas como sobrevivência, cuidado, perdas, desejos e resistência.

A artista Nicka, que assina a direção, dramaturgia e atuação, explica que a obra nasceu da necessidade de imaginar futuros possíveis para corpos travestis. Apesar de dialogar com experiências pessoais, a personagem apresentada no palco não é uma representação autobiográfica.

O nome do espetáculo também propõe uma quebra de paradigmas ao unir a palavra “senhora” à identidade travesti, colocando em evidência uma existência atravessada pelo tempo, pelos afetos e pelas histórias construídas ao longo da vida.

Com uma narrativa que mistura teatro, música, silêncio e performance, a montagem convida o público a refletir sobre reconhecimento, pertencimento e sobre quais vidas têm seus futuros garantidos ou negados pela sociedade.

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