O governo da Espanha estima que cerca de 49 mil migrantes tenham entrado no território de Ceuta, enclave espanhol no norte da África, em um período de 24 horas. A chegada em massa ocorreu por mar e por terra, a partir do Marrocos, e levou as autoridades a reforçarem a segurança na região.
Segundo o prefeito de Ceuta, Juan Jesús Vivas, aproximadamente 60 mil pessoas teriam cruzado a fronteira nos últimos dias, número que representa mais da metade da população local.
A Espanha e o Marrocos ampliaram o controle na área de fronteira nesta sexta-feira (31) e conseguiram interromper parte das travessias após o avanço de milhares de pessoas. Durante a crise, pelo menos 34 corpos foram encontrados, de acordo com as autoridades.
A movimentação migratória provocou tensão entre países europeus. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o país avalia medidas excepcionais, incluindo a possibilidade de suspender o acordo de livre circulação do Espaço Schengen com a Espanha.
Nos pontos de entrada de Ceuta, forças marroquinas utilizaram caminhões com jatos de água para conter a multidão. Próximo ao local, veículos incendiados foram encontrados após confrontos registrados durante a tentativa de travessia.
As autoridades espanholas informaram que pretendem devolver os migrantes que entraram de forma irregular, seguindo as normas legais e decisões judiciais. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, esteve previsto para visitar Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com o continente africano. As duas cidades costumam registrar tentativas de entrada de migrantes que buscam chegar à Europa, mas a passagem de dezenas de milhares de pessoas em curto período foi considerada uma das maiores crises migratórias da região nos últimos anos.
O ministro da Política Territorial da Espanha, Ángel Víctor Torres, afirmou que uma decisão recente da Suprema Corte espanhola, que restringiu devoluções imediatas de migrantes interceptados no mar, pode ter influenciado o aumento das tentativas de travessia.
No lado marroquino, milhares de migrantes se concentraram na cidade de Fnideq durante a noite, tentando encontrar rotas alternativas para atravessar a fronteira. Entre os grupos estavam mulheres, crianças e pessoas vindas do Marrocos e de países da África Subsaariana.
A crise reacendeu o debate sobre políticas migratórias na Europa, tema que ganhou força desde a grande onda de migração registrada em 2015, quando mais de um milhão de pessoas chegaram ao continente em busca de refúgio, principalmente devido a conflitos no Oriente Médio.



