Especialistas em saúde mental emitiram um alerta nesta quinta-feira (10), Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, sobre o avanço do sofrimento psíquico e o risco de ideação suicida provocados pela dependência em apostas virtuais (ludopatia). Com a facilidade do acesso 24 horas via smartphone e o forte apelo publicitário, psiquiatras e psicólogos destacam que os prejuízos financeiros em cascata têm levado pacientes a quadros graves de ansiedade, depressão e isolamento social.
Segundo médicos e pesquisadores do setor, a atração pelas plataformas de jogos online aciona o sistema de recompensa do cérebro com descargas intermitentes de dopamina, o que sobrepõe a expectativa de ganho ao controle de decisão do indivíduo. Quando as perdas financeiras se acumulam, a tentativa de recuperar os valores perdidos gera um ciclo de culpa, endividamento, conflitos familiares e desesperança, elevando drasticamente o risco de atos contra a própria vida.
Profissionais que atuam em consultórios e na Rede de Atenção Psicossocial (Caps) ressaltam a importância de abordar abertamente o tema no ambiente clínico e de monitorar sinais de alerta. Mudanças súbitas de comportamento, frases sobre desistir da vida e o uso abusivo de álcool devem mobilizar familiares e amigos a buscarem suporte profissional antes que o paciente atinja o esgotamento total, compreendendo que o vício em apostas é uma condição médica que exige intervenção multidisciplinar.
Diante do avanço do problema, entidades do setor, como o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), afirmam que a regulamentação do mercado de apostas busca estabelecer regras de proteção ao consumidor e diretrizes rígidas para a publicidade. No entanto, profissionais de saúde defendem que a resposta ao jogo problemático precisa ser tratada como uma pauta coletiva de saúde pública e não apenas como uma responsabilidade individual do apostador.
Para casos de emergência e apoio emocional, especialistas orientam que a pessoa em sofrimento não permaneça sozinha. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito e confidencial pelo telefone 188, enquanto emergências médicas podem ser acionadas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no telefone 192, além do acolhimento presencial oferecido nas unidades do Caps.
(*)Com informações da Agência Brasil


