A Associação Cultural Boi-Bumbá Caprichoso divulgou, nesta quinta-feira (22), uma nota de repúdio aos ataques direcionados à cunhã-poranga Marciele Albuquerque, participante do Big Brother Brasil 2026. As ofensas começaram após a artista afirmar, durante conversa no reality show, que nunca perdeu para a cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira, no Festival de Parintins, mencionando apenas empates.
Após a declaração, torcedores do Garantido passaram a questionar a fala de Marciele e a promover ataques nas redes sociais. Em resposta, o Boi Caprichoso classificou as agressões como inaceitáveis e destacou que os comentários ultrapassaram os limites da rivalidade cultural.
Em nota, a associação manifestou “firme e indignado repúdio às agressões, ataques virtuais, comentários maldosos, difamações e manifestações de preconceito” contra Marciele, ressaltando que as ofensas revelam práticas de racismo, injúria racial, machismo e violência contra povos originários. Marciele é mulher indígena do povo Munduruku.
O Caprichoso também reforçou que o Festival de Parintins é sustentado pelo respeito, pela arte e pela diversidade, e que a rivalidade entre as agremiações deve se limitar à arena. “A internet não é terra sem lei, e o discurso de ódio não pode ser normalizado sob nenhuma justificativa”, afirmou a entidade.
No pronunciamento, a associação destacou ainda o simbolismo da presença de Marciele no festival, apontando que sua atuação representa um marco de representatividade para mulheres indígenas e povos da floresta, além de lembrar sua atuação em espaços nacionais e internacionais, como a Marcha das Mulheres Indígenas, a ONU e conferências climáticas.
A nota também relembrou a postura adotada em 2024, quando Isabelle Nogueira, do Boi Garantido, participou do BBB. Na ocasião, segundo a associação, prevaleceu o entendimento de que a visibilidade do programa era uma oportunidade de divulgar Parintins, a Amazônia e sua cultura para o Brasil e o mundo, acima de rivalidades.
Por fim, o Boi Caprichoso reafirmou o compromisso com o respeito, a diversidade e o combate a todas as formas de preconceito, destacando que ataques a uma mulher indígena atingem todo o povo amazônico.



