O menino Benício Xavier de Freitas, que completaria 7 anos em 25 de dezembro, morreu após receber uma dose de adrenalina aplicada por via intravenosa em um hospital particular de Manaus. A família denuncia que houve erro na administração da medicação. O caso ocorreu entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24).
Nesta quarta-feira (26), o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) abriu um procedimento para investigar a conduta da equipe médica. O Hospital Santa Júlia informou que afastou uma médica e uma técnica de enfermagem e instaurou uma apuração interna. A Polícia Civil também conduz investigação.
De acordo com o pai, Bruno Freitas, Benício foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A médica plantonista teria prescrito lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.
A família afirmou que questionou a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. Logo após a primeira aplicação da adrenalina, o menino apresentou piora rápida, segundo relato dos pais.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ia fazer”, disse o pai.
Com o agravamento, Benício foi levado para a sala vermelha, onde a oxigenação caiu para cerca de 75%. Uma segunda médica foi acionada e solicitou a transferência para a UTI.
Na UTI, o estado de Benício piorou. A equipe decidiu pela intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, a criança teve as primeiras paradas cardíacas. Segundo o pai, houve sangramento porque o menino vomitou durante a intubação.
Mesmo após manobras de reanimação, o quadro permaneceu instável, com novas paradas cardíacas. Benício morreu às 2h55 de domingo (24).
“Queremos justiça pelo Benício. Que nenhuma família passe pelo que estamos vivendo”, lamentou o pai.
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que fará análise técnica detalhada do atendimento. A Polícia Civil e o Cremam afirmaram que ainda não podem divulgar mais informações para não prejudicar as investigações.



