O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) lançou quatro editais de licitação para obras de recuperação e pavimentação no trecho central da BR-319, com investimento total superior a R$ 1,36 bilhão. Considerada estratégica, a intervenção é aguardada há mais de 50 anos e visa melhorar a ligação do Amazonas com outras regiões do país.
Os editais foram publicados no Diário Oficial da União pelo Ministério dos Transportes. Empresas interessadas já podem encaminhar propostas por meio do sistema eletrônico de compras do governo federal. As sessões de abertura dos pregões estão marcadas para os dias 29 e 30 de abril.
As obras abrangem cerca de 339,4 quilômetros da rodovia, divididos em quatro lotes. O primeiro compreende 95,5 km, entre os km 250,7 e 346,2, com orçamento estimado em R$ 363,3 milhões. O segundo trecho, de 86,9 km (km 346,2 ao 433,1), prevê investimento de R$ 364 milhões. O terceiro lote, com 36,5 km (km 433,1 ao 469,6), está orçado em R$ 210,6 milhões. Já o quarto e maior segmento, com 120,5 km (km 469,6 ao 590,1), tem previsão de R$ 430,9 milhões.
No total, os recursos somam R$ 1,369 bilhão, acima da estimativa inicial do projeto, fixada em R$ 678 milhões.
Os serviços incluem recuperação estrutural do pavimento e melhorias nas condições de tráfego, em áreas que envolvem pontos estratégicos como os igarapés Caetano e Realidade, além de conexões com rodovias estaduais.
Pelo cronograma, os lotes 1 e 3 terão licitações realizadas no dia 29 de abril. Já os lotes 2 e 4 serão licitados no dia 30. As propostas deverão ser enviadas exclusivamente pelo portal de compras do governo federal.
A medida ocorre em meio à mobilização da bancada federal do Amazonas, que tem defendido a pavimentação da BR-319 como prioridade nacional. A rodovia é apontada como essencial para reduzir o isolamento de Manaus e impulsionar a economia regional.
Construída na década de 1970, a BR-319 enfrenta há décadas problemas de infraestrutura, especialmente no trecho central, que frequentemente fica intrafegável durante o período chuvoso.
Apesar do avanço, o projeto ainda enfrenta questionamentos de órgãos ambientais e do Ministério Público, que alertam para riscos de desmatamento, ocupações irregulares e impactos em áreas protegidas. Essas questões já provocaram entraves judiciais e atrasos em etapas anteriores.
O desafio do governo federal será executar as obras conciliando desenvolvimento logístico e preservação ambiental, evitando novos obstáculos jurídicos.



