Segundo o jornalista, Paulo Figueiredo, que acompanha o caso diretamente dos EUA, a situação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem vem sendo descrita de forma imprecisa após sua abordagem por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Ramagem foi detido na segunda-feira (13), em Orlando, na Flórida, e levado a um centro de detenção em razão de questões migratórias, conforme confirmação de autoridades brasileiras e norte-americanas.
Ele estava no país desde setembro de 2025, após deixar o Brasil durante o julgamento em que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
Em publicação nas redes sociais, Figueiredo afirma que o termo “prisão” não seria o mais adequado para o caso. Segundo ele, trata-se de uma detenção administrativa, procedimento comum em situações relacionadas à irregularidade migratória, e não de uma prisão diretamente ligada à condenação imposta pela Justiça brasileira.
O jornalista ressalta que ações do ICE costumam ocorrer em casos de problemas com visto ou status migratório, o que não implica, automaticamente, no cumprimento de penas por crimes cometidos em outros países. Ele também destaca que a execução da pena de Ramagem nos Estados Unidos depende da análise do pedido de extradição, ainda em tramitação.
O ex-parlamentar teve o passaporte diplomático cancelado após a cassação do mandato pelo Congresso Nacional, em dezembro de 2025. Antes de chegar aos Estados Unidos, ele deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana, no município de Bonfim (RR), e seguiu viagem até Miami.
O pedido de extradição foi formalizado pelo Ministério da Justiça no fim de 2025 e encaminhado às autoridades norte-americanas por meio da Embaixada do Brasil em Washington.
Delegado da Polícia Federal, Ramagem comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. Ele ganhou projeção ao atuar na segurança do então candidato à Presidência em 2018.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro e, em 2024, disputou a prefeitura da capital fluminense, ficando em segundo lugar. Em dezembro de 2025, teve o mandato cassado após condenação no STF.



