O crime organizado no Brasil tem intensificado o uso de armas de estilo militar , fuzis, submetralhadoras e metralhadoras em áreas sob seu controle. O país lidera na América Latina em população vivendo em territórios dominados por facções criminosas.
Um levantamento do Instituto Sou da Paz analisou cerca de 7 mil armas apreendidas entre 2019 e 2023 em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O estudo, publicado na revista Economias Ilícitas e Desenvolvimento, detalha a origem, o perfil e a presença das chamadas Afem (armas de fogo de estilo militar).
Embora representem apenas 3% das apreensões nacionais, essas armas têm impacto desproporcional na segurança pública. No período analisado, o número de apreensões de Afem subiu 33,7%, de 1.929 para 2.581, e sua participação entre todas as armas apreendidas passou de 1,7% para 2,4%. No Sudeste, o aumento foi de 11,4%, com destaque para o Espírito Santo, que registrou crescimento de 467%. O Rio de Janeiro lidera em quantidade absoluta, com fuzis e submetralhadoras chegando a 10% do total de apreensões.
A pesquisa aponta múltiplas origens para o armamento pesado: desvios das Forças Armadas, produção artesanal e importação de peças de países como EUA, Alemanha, Bélgica, Sérvia, Romênia e China. Especialistas também destacam que a flexibilização das regras para colecionadores, atiradores e caçadores durante o governo Bolsonaro facilitou o desvio de fuzis, mesmo após restrições terem sido retomadas em 2023.
Além disso, a falta de dados confiáveis e erros nos registros dificultam o monitoramento da circulação dessas armas, incluindo fuzis falsificados e “ghost rifles”.
Segundo os pesquisadores, o armamento pesado é decisivo para que o crime organizado exerça controle territorial e cometa crimes de alta complexidade, reforçando a necessidade de políticas rigorosas de fiscalização e bancos de dados nacionais sobre apreensões.



