A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã já provoca reflexos na economia global e levou o governo brasileiro a rever medidas relacionadas aos combustíveis. Diante da alta do preço do petróleo no mercado internacional, o Ministério da Fazenda decidiu adiar a retirada total ou parcial do subsídio à gasolina, prevista para ocorrer nesta semana.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a volatilidade causada pelo conflito no Oriente Médio exige cautela na adoção de medidas que possam impactar os preços dos combustíveis. A revisão também atinge a redução da subvenção ao diesel.
A valorização do petróleo está diretamente ligada ao aumento das tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente. O risco de interrupções no transporte da commodity impulsionou a cotação do barril nos mercados internacionais.
Segundo levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE), aproximadamente 50 países adotaram medidas para minimizar os efeitos da crise energética. Entre as ações estão a redução de impostos sobre combustíveis, incentivos ao consumo eficiente de energia, ampliação das importações de petróleo e investimentos em fontes alternativas.
No Quênia, o governo reduziu tributos incidentes sobre combustíveis e ampliou incentivos para veículos elétricos. Já Índia e Bangladesh reforçaram o abastecimento das refinarias, aumentaram as importações de petróleo e implementaram medidas de racionamento energético.
Outros cerca de 40 países lançaram campanhas para estimular o uso consciente da energia. Em alguns casos, como nas Filipinas, foi decretado estado de emergência energética para enfrentar os impactos da crise.
Nos Estados Unidos, apesar do envolvimento direto no conflito, a alta do petróleo beneficiou o setor energético. Empresas como a Exxon Mobil registraram aumento nos lucros, enquanto o governo norte-americano ampliou as exportações de gás natural e liberou parte das reservas estratégicas de petróleo para tentar conter a volatilidade do mercado.
Medidas no Brasil
Além de adiar as mudanças nos subsídios à gasolina, o governo federal anunciou a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação, diminuiu impostos para companhias aéreas e zerou as alíquotas de PIS e Cofins incidentes sobre a importação e comercialização do diesel.
Especialistas alertam que, caso o conflito entre Estados Unidos e Irã se prolongue, o Brasil poderá enfrentar novos aumentos nos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos, ampliando a pressão sobre a inflação e as contas públicas.
Entenda o conflito
A crise entre Estados Unidos e Irã ganhou força após novas divergências envolvendo o programa nuclear iraniano e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. A tensão aumentou depois que a Agência Internacional de Energia Atômica apontou o descumprimento de obrigações por parte do Irã, seguido da abertura de uma nova instalação de enriquecimento de urânio e de ataques israelenses contra alvos iranianos.



