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EUA classificam PCC e CV como terroristas e ampliam pressão sobre o Brasil

Os Estados Unidos anunciaram a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em listas de organizações terroristas internacionais. A decisão, divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano, pode gerar impactos diplomáticos, econômicos e jurídicos para o Brasil.

A medida foi baseada em duas legislações dos EUA voltadas ao combate ao terrorismo. Uma delas é a Ordem Executiva 13224, criada após os atentados de 11 de setembro de 2001, que permite ao governo norte-americano bloquear bens e aplicar sanções contra grupos considerados terroristas e seus apoiadores.

Com o enquadramento, pessoas e empresas que mantenham relações financeiras ou ofereçam qualquer tipo de apoio às facções poderão ser alvo de punições, inclusive fora do território norte-americano.

Além disso, PCC e CV passaram a integrar a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), mecanismo legal utilizado pelos EUA para ampliar investigações e ações criminais contra organizações internacionais.

Especialistas avaliam que a decisão pode aumentar a pressão internacional sobre o Brasil e provocar reflexos em setores econômicos, sobretudo para empresas brasileiras que atuam nos Estados Unidos. Também existe a possibilidade de maior rigor na concessão de vistos e em operações financeiras envolvendo cidadãos brasileiros.

No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a medida é vista com preocupação. Integrantes do Itamaraty e do Palácio do Planalto temem que a classificação abra espaço para interferências externas em questões de segurança pública do país.

O receio aumentou após ações recentes dos Estados Unidos na Venezuela. Em 2025, o governo norte-americano classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista e, meses depois, realizou operação que culminou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado por Washington de narcoterrorismo.

Apesar da preocupação do governo brasileiro, diplomatas ressaltam que a decisão é unilateral e não depende de aprovação do Brasil.

A classificação das facções ocorre poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL) se reunir com o presidente Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo o parlamentar, o tema esteve entre os assuntos discutidos durante o encontro.

As sanções relacionadas à nova classificação começam a valer a partir de 5 de junho. De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, indivíduos e empresas que realizarem transações ou prestarem apoio material ao PCC e ao CV poderão sofrer sanções financeiras, responder criminalmente e até ser deportados do território norte-americano.

COLUNISTAS

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