Minas Gerais segue em alerta para novos temporais após as chuvas intensas que provocaram ao menos 23 mortes na Zona da Mata. O aviso de “grande perigo” foi emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e permanece válido até sexta-feira (27), às 23h59.
Segundo o instituto, há previsão de volumes superiores a 100 milímetros por dia em regiões como Zona da Mata, Vale do Rio Doce e Sul e Sudoeste de Minas. O cenário eleva o risco de deslizamentos, enchentes, alagamentos e desabamentos.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) também advertiu para a possibilidade de enxurradas e transbordamento de córregos, com risco considerado moderado em cidades como Juiz de Fora e Belo Horizonte.
As cidades mais atingidas são Juiz de Fora e Ubá. Em Juiz de Fora, 16 pessoas morreram e 47 estão desaparecidas, de acordo com o Corpo de Bombeiros. Entre os desaparecidos, 20 são moradores do bairro Parque Burnier. Equipes também trabalham na Rua Natalino José de Paula, onde há vítimas soterradas.
Em Ubá, sete mortes foram confirmadas. A enxurrada arrastou carros e destruiu imóveis. Uma das vítimas morreu após sofrer descarga elétrica ao atravessar uma área alagada com fio de alta tensão exposto.
Juiz de Fora registrou quase 200 milímetros de chuva em poucas horas. No acumulado do mês, o volume já chega a 460,4 milímetros, o equivalente a 270% da média histórica para fevereiro, tornando este o mês mais chuvoso já registrado na cidade. A prefeitura estima cerca de 440 pessoas desabrigadas.
A prefeita Margarida Salomão decretou situação de calamidade pública por 180 dias em Juiz de Fora. A medida permite o acesso a recursos estaduais e federais para ações emergenciais. As aulas foram suspensas e servidores municipais autorizados a atuar em regime remoto.
O município de Matias Barbosa, a cerca de 22 quilômetros de Juiz de Fora, também decretou calamidade pública em razão dos impactos das chuvas.
As autoridades orientam que a população evite áreas de risco e acione a Defesa Civil pelo telefone 199 em caso de emergência. Equipes de resgate seguem mobilizadas nas áreas afetadas, enquanto moradores relatam cenário de destruição, com ruas tomadas por lama e veículos submersos.



