A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quinta-feira (9), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tem como um dos principais alvos o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade ligada a José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao todo, são cumpridos 66 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. As diligências se concentram em São Paulo (45), mas também ocorrem em Sergipe (12), Amazonas (1), Rio Grande do Norte (1), Santa Catarina (2), Pernambuco (2), Bahia (2) e Distrito Federal (1).
De acordo com as investigações, associações de fachada e servidores públicos montaram um esquema para incluir beneficiários do INSS em entidades inexistentes, o que permitia descontos mensais irregulares nos pagamentos de aposentadorias e pensões. As assinaturas das autorizações eram falsificadas, e alguns idosos chegaram a ser “filiados” a diversas entidades no mesmo dia.
A PF aponta que o grupo também pagava propina a servidores do INSS em troca de dados sigilosos dos beneficiários. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024. Parte dos valores foi lavada por meio de empresas de fachada, com aquisição de imóveis, veículos de luxo e obras de arte.
O Sindnapi, sediado em São Paulo, aparece nesta etapa como um dos principais focos da investigação. Milton “Cavalo” Baptista de Souza Filho, diretor da entidade, teve endereços revistados e está convocado a depor na CPMI do INSS nesta quinta-feira.
Apesar de sua ligação histórica com o sindicato, Frei Chico, que também exerce função diretiva no Sindnapi, não é alvo desta fase da operação nem figura entre os investigados.
Na etapa anterior da Operação Sem Desconto, deflagrada em setembro, foram presos Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, apontados como principais articuladores do esquema. Na ocasião, a PF apreendeu carros esportivos de alto valor e obras de arte.
Com esta nova fase, a Polícia Federal busca aprofundar as investigações sobre a participação de entidades representativas de aposentados no esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que, segundo os investigadores, afetou milhares de beneficiários em todo o país.



