O Governo do Distrito Federal (GDF) determinou a suspensão do serviço de adiantamento salarial oferecido pelo PicPay, empresa do grupo J&F, após o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apontar indícios de cobranças irregulares aplicadas a servidores públicos.
De acordo com o órgão de controle, a chamada “taxa de antecipação” cobrada pela plataforma apresenta características de juros, apesar de o serviço ser divulgado como isento desse tipo de encargo. A recomendação do tribunal foi acatada pela Secretaria de Economia do DF, que interrompeu novos descontos em folha.
O acordo entre o GDF e o PicPay também passou a ser investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A apuração teve início após o envio de relatórios do Banco Santander ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicando movimentações financeiras envolvendo o escritório de advocacia ligado ao governador Ibaneis Rocha.
Segundo os dados, o escritório recebeu R$ 1 milhão do grupo J&F poucos dias após o credenciamento do PicPay. Em um ano, os repasses somaram R$ 34 milhões em 15 operações.
A J&F afirma que os pagamentos são decorrentes de serviços jurídicos prestados há mais de dez anos e nega qualquer vínculo com o contrato firmado com o governo.
O TCDF também destacou aumento significativo na adesão ao adiantamento salarial. Em aproximadamente dois anos, o volume movimentado chegou a R$ 81,6 milhões — sendo R$ 11,7 milhões em 2024 e R$ 70 milhões em 2025 (parcial).
A Secretaria de Economia atribui a expansão ao início recente da operação e à maior divulgação do serviço ao longo do último ano.
Além da suspensão, o Tribunal recomendou que o modelo seja enquadrado como consignação facultativa, exigindo autorização prévia dos servidores para descontos.
Em nota, o PicPay negou irregularidades e afirmou que a tarifa é opcional, aplicada apenas quando o usuário opta por receber o valor em conta corrente, sendo gratuita via cartão.
A Secretaria de Economia informou que o programa segue em análise e permanecerá suspenso até conclusão da avaliação do TCDF.
Já a J&F criticou o possível vazamento de dados financeiros e negou qualquer irregularidade. O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria também afirmou atuar dentro da legalidade e repudiou insinuações sobre sua atuação profissional.



