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quarta-feira, junho 3, 2026
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A NOSSA GERAÇÃO

Por José Rocha – Somos da geração dos anos cinquenta e sessenta, filhos da Santa Casa de Misericórdia e criados no centro histórico de Manaus. Vivíamos de peixe, farinha e liberdade. Pulávamos da Ponte da Sete para o Igarapé de Manaus, tomávamos banho no V8, no Tarumã, no Parque Dez, brincávamos de peão, papagaio de papel, bola nos campinhos de barro e resolvíamos tudo no “mano a mano”, sem armas — só orgulho infantil.

Estudamos no Barão, no Estadual, no Nilo, no IEA, na Escola Técnica, enfrentando palmatória, castigo e merenda simples. Desfilávamos no Sete de Setembro, tomávamos sorvete no Pinguim e no A Gogô, e saboreávamos pastel com caldo de cana e bolo de macaxeira nas confeitarias.

Nossa diversão eram os cinemas Guarany, Polytheama, Avenida e Odeon, os circos e os programas da TV Ajuricaba e Baré, que chegavam como um milagre moderno.

Sem internet e sem celulares, nossas informações vinham das rádios Baré, Rio Mar, Difusora e da “Rádio Cipó”, além dos jornais Comércio, A Crítica e A Notícia. Pesquisávamos na Biblioteca Pública ou pegávamos emprestado um volume da Barsa dos amigos mais abastados.

Fomos a geração da Bossa Nova e do Rock. Admirávamos Elvis Presley, Beatles, Roberto e Erasmo, Wanderléia, Tom e Vinícius. Era o tempo dos discos de vinil, das fitas cassete, das festas no Acocho, Sheik Clube, Bancrevia, União Esportiva — e das famosas brigas das “galeras do mal”.

As moças eram preparadas para casar virgens; se alguém “avançasse o sinal”, o casamento vinha às pressas. Casamento entre pessoas do mesmo sexo não existia, mas como sempre, havia muito “por detrás dos panos”.

Hoje, já sessentões e setentões, muitos de nós sobreviventes de uma pandemia que levou tantos amigos, olhamos a vida seguir com nossos netos e bisnetos.

E sorrimos ao lembrar que, antes das telas e das modernidades, existiu algo maior: a força da nossa geração.

O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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