Por José Rocha – Na qualidade de manauara da gema, saudosista e pesquisador da nossa história, venho apresentar ao crivo da população e levar aos governantes uma proposta para a volta dos bondes com a cara dos antigos, mas em uma nova versão do século XXI, ou seja, elétricos, sobre rodas e com a “Linha Saudade”, em novo trajeto, percorrendo lugares históricos da nossa querida cidade de Manaus.
Alguns governantes, num passado recente, já comentaram a vontade de trabalharem em prol da volta dos bondes, com alguns deles propondo uma linha curta, trazendo os turistas dos transatlânticos do Roadway, via Avenida Eduardo Ribeiro, até o Largo de São Sebastião, fazendo o mesmo retorno.
Não passaram de promessas políticas, sem sequer iniciarem um plano. Mas, como as esperanças se renovam a cada eleição, levo até eles a minha proposta inicial, que, caso acatada, deverá passar por todo um planejamento para a sua viabilização.
Por ser de caráter turístico, os planos, custos e operacionalização deverão inicialmente partir do governo estadual ou municipal. Depois, caso seja rentável, deverá passar para uma empresa privada gerir esta linha.
O desenho dos bondes deverá obedecer ao modelo de como eram no passado, no entanto, dotados de pneumáticos para rodar sem a necessidade de trilhos. Serão 100% elétricos, equipados com tecnologia brasileira da empresa Eletra (São Paulo) e baterias/motores elétricos WEG. Existe um projeto aprovado da chinesa BYD para produzir baterias no Polo Industrial da Zona Franca de Manaus.
Os novos bondes terão Wi-Fi, carregadores USB, pagamento via cartão e QR Code ou bilhetes para os turistas na Estação dos Bondes. Uma das características principais dos novos bondes será a emissão zero de poluentes. Estes tipos de bonde já estão em operação na China, com um detalhe: lá eles são autônomos, circulando pela cidade sem necessidade de motorista.
Uma coisa é certa: quando os governantes e políticos querem que algo aconteça, acontece. Foi o caso da Ponte Rio Negro, que muitos duvidavam e se concretizou. A ponte que ligará a BR-319 a Manaus sairá do papel brevemente, podem escrever aí. No caso dos bondes, havendo vontade política, eles voltarão a circular, com certeza, para o prazer e deleite da população manauara e o vislumbre dos turistas.
A Linha Saudade será a seguinte:
Estação dos Bondes: Complexo Booth Lines (atual Mercado de Origem), onde os bondes serão carregados e será o ponto de partida e chegada.
Sai pela Rua Monteiro de Souza, Travessa Vivaldo Lima, passando em frente ao Museu do Porto, IPHAN e à antiga sede da Manaós Harbour. Segue pela Rua Taqueirinha e vira à esquerda pela Rua Visconde de Mauá, passando em frente à Manauscult e ao futuro “Aquário Municipal”, além do “Mirante Lúcia Almeida”. Pela Travessa Carolina, entra na Rua Bernardo Ramos, mostrando o Centro Cultural Oscar Ramos, Casarão Thiago de Mello, IGHA, Esperança e Porvir e demais casarões antigos da Belle Époque.
Segue pela Rua Gabriel Salgado, passando em frente ao Museu da Cidade de Manaus e à Praça Dom Pedro II. Dobra na Avenida Sete de Setembro, passando em frente ao Palácio Rio Branco, IAPETEC, Museu de Arqueologia e demais imóveis do início do século. Dobra na Avenida Eduardo Ribeiro, passando em frente ao Centro Cultural Palácio da Justiça.
Vira à direita na Rua 10 de Julho, passando pela lateral do Teatro Amazonas, Igreja e Largo de São Sebastião. Segue e dobra à direita na Avenida Getúlio Vargas, com vistas do Colégio Dom Pedro II, Praça da Polícia e Palacete Provincial.
Dobra à esquerda na Avenida Sete de Setembro, passando pela Ponte Romana I (Floriano Peixoto), com parada no Centro Cultural Palácio Rio Negro; Ponte Romana II (Marechal Deodoro) e Ponte de Ferro (Benjamin Constant), com parada para quem desejar conhecer o Museu do Índio, passando depois em frente ao ex-presídio Raimundo Vidal Pessoa (que deverá ser revitalizado).
Segue e vira à direita na via de acesso até a Avenida Lourenço Braga, passando pelo Largo do Mestre Chico, Parque Senador Jefferson Péres, Centro Cultural Usina Chaminé, Rio Negro, Feira da Banana, Novo Porto e Mercado Adolpho Lisboa.
Entra por dentro do Roadway, onde será possível verificar o prédio da Alfândega e a Guardamoria (sem paradas), além do maior porto flutuante do mundo. Ponto final na Estação dos Bondes.
A viagem foi longa, mas prazerosa. Passamos por dezenas de pontos turísticos, curtimos a verdadeira cara de Manaus. Sonhar não custa nada! Quem sabe um dia a minha ideia vingue e possamos passear nos Bondes do Século XXI pela Linha Saudade.
O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.
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