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Catedral Nossa Senhora da Conceição – A Nossa Catedral

Por José Rocha – Desde quadro eu era curumim, acompanhava meus pais e minha avó paterna até essa igreja que, para nós, sempre foi mais do que um templo: era um pedaço de casa, de história e de fé.

A Catedral Nossa Senhora da Conceição carrega um significado profundo para minha família e para todo manauara que se reconhece sob a proteção de nossa padroeira.

Tudo começou lá atrás, em 1695, quando os padres carmelitas chegaram à pequena Manaus e levantaram uma igrejinha de taipa — barro e palha — perto do Forte São José da Barra do Rio Negro. No altar simples, colocaram a imagem da Virgem da Conceição, que logo se tornou o coração espiritual da comunidade.

Os anos passaram, e em 1850 um grande incêndio consumiu a antiga igreja. Mas, como se fosse um aviso divino, a imagem da Santa foi milagrosamente salva. A notícia correu pela cidade, e governantes e cidadãos se uniram para reconstruir o templo que simbolizava a fé de todos.

Oito anos depois do incêndio, começaram as obras da nova igreja, que levaram duas décadas até a conclusão, em 1877. Desta vez, ela foi erguida em um ponto elevado, de frente para o Rio Negro, como se vigiasse a cidade que crescia aos seus pés.

A Catedral atual exibe um belíssimo estilo neoclássico, com fachada imponente que impõe respeito e encanto. O altar-mor, feito em mármore por um artesão francês, é uma obra que prende o olhar até de quem não entende de arte. Já os seis sinos do campanário — que muitos manauaras aprenderam a amar pelo som firme e antigo — vieram de Portugal, trazendo ecos de outra terra para o coração da Amazônia.

Quando eu era menino, adorava percorrer os quadros da Via Crucis, tentando decifrar aquelas cenas que me pareciam tão distantes. No teto do altar, as pinturas sempre me deixavam maravilhado. Mas, como eu não entendia nada da missa, era logo liberado para brincar no Aviário, que ficava entre as duas escadarias em forma de harpa — um cantinho que para mim era quase um parque encantado.

Hoje, Dia da Nossa Padroeira, não posso me deslocar para ver de perto a imagem que sobreviveu ao incêndio de 1850 e que nos acompanha desde 1695. Por recomendação médica, preciso ficar quieto. Mas abri uma exceção para escrever esta crônica em homenagem à nossa Catedral, que faz parte da minha vida, da minha fé e da história de Manaus.

Que Nossa Senhora da Conceição continue a abençoar nossa cidade — e a guardar no coração de cada manauara o mesmo sentimento que guardo desde curumim.

O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.

Os artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores. É permitida sua reprodução, total ou parcial desde que seja citada a fonte.

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