Por José Rocha – Rapaz, em 1989, Manaus tinha uns 850 mil habitantes. Dez por cento disso — uns 85 mil — coube dentro do Vivaldão (e mais uns 15 mil ficaram do lado de fora) no jogo entre o NY Cosmos e o Fast Clube.
A cidade crescia, é verdade, mas a gente ainda conhecia os políticos pelo nome, sobrenome e até apelido. Sabíamos quem era o vereador, o juiz, o secretário e o sujeito que mandava tapar os buracos da rua (e, às vezes, deixava abertos mesmo).
Hoje, em 2025, Manaus tá com dois milhões e meio de moradores — e a impressão que dá é que os vereadores moram em Marte. Ninguém sabe quem são, o que fazem, ou se ainda lembram onde fica o bairro de Educandos.
Naquele tempo, os prefeitos eram Arthur Virgílio Neto e Feliz Valois, nomes que até os passarinhos do Largo de São Sebastião sabiam de cor. E olha, a Câmara Municipal tinha uma turma de respeito: Jefferson Péres, Mário Frota (o mais votado), Vanessa Grazziotin, Serafim Corrêa, Messias Sampaio, Otalina Aleixo, João Pedro e Robério Braga.
Era gente que discutia a cidade, brigava por causa séria e sabia discursar sem precisar de teleprompter. Tinha debate de verdade, tinha projeto, tinha até emoção!
Agora… me diga com sinceridade: quantos vereadores de 2025 você conhece de nome, sem colar no Google?
Dois? Três, forçando a memória? Pois é.
Hoje, o que mais se ouve é o tal do Sargento Salazar, que faz sucesso nas redes sociais batendo no prefeito, no governador e, de vez em quando, até na mesa da Câmara. É o mais votado, mas, cá entre nós, parece mais influencer do que vereador. Fala grosso, posta vídeo, faz live… mas, quando é pra apresentar lei, o microfone dá pane.
Eu, sinceramente, só lembro de uns três atuantes: Diego Afonso, Rodrigo Guedes e Zé Ricardo. Os outros… se me pedirem pra citar de cor, vou ter que apelar pra cartela de bingo.
Aliás, alguém aí já ouviu falar em Carlos Pai Amado ou Rosinaldo Bual? E o David Reais? Pois é… também nunca vi mais gordo!
Antigamente, a gente sabia até quem era o presidente da CEM (risos), conhecia os secretários e até os motoristas dos secretários! Hoje, o número de vereadores dobrou, mas a visibilidade deles foi pra cucuia.
Manaus cresceu, o povo se multiplicou — e os vereadores… sumiram. Viraram personagens invisíveis de uma novela que ninguém mais assiste.
Tomara que, na próxima eleição, apareça uma nova geração inspirada na turma de 1989 — aquela que dava gosto de ver falar, que conhecia os problemas da cidade e não fugia da raia.
Porque, do jeito que vai, daqui a pouco a gente vai ter que abrir o Google Maps pra localizar os vereadores de Manaus.
O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.



