Por José Rocha – Há dias em que o mundo parece pesar mais do que o normal. Ultimamente, bastou eu ligar os telejornais — locais e nacionais — para sentir um impacto direto no meu espírito. Fui invadido por uma enxurrada de notícias ruins: corrupção e má aplicação do dinheiro público, violência urbana em escalada, feminicídios que se repetem como uma ferida aberta, predadores sexuais expondo autoridades, chuvas torrenciais com alagamentos e destruição, trânsito caótico com mortes diárias, desgaste no Judiciário, golpes contra os velhinhos do INSS, fraudes digitais, crime organizado se impondo cada vez mais, além de furacões, neves fora de época, guerras e perseguições mundo afora.
Confesso: fiquei perplexo. Era como se cada manchete colocasse mais um peso nos ombros e menos luz no caminho.
Busquei então a palavra de um amigo especialista, um desses que entendem da alma humana. Ele me disse:
“O consumo excessivo de notícias ruins impacta o espírito. O fluxo constante de tragédias e crises altera nossa percepção da realidade e drena nossa energia vital. Ficamos com a sensação de que o mundo é um lugar inerentemente perigoso. As pessoas param de enxergar a beleza, a bondade e a evolução ao seu redor. O espírito habita um corpo, e o corpo reage: notícias ruins disparam o cortisol e a adrenalina. A alma passa a acreditar que a exceção é a regra, destruindo a confiança no próximo.”
As palavras dele ficaram ecoando em mim.
Decidi, então, fazer um teste simples: passei vinte e quatro horas sem ver, ouvir ou ler absolutamente nada relacionado a notícias negativas. Em vez disso, mergulhei nas músicas que amo — aquelas que puxam a memória para o passado, que conversam com a alma, que lembram bons tempos.
Depois contei ao meu especialista. Ele sorriu e explicou:
“Amigo Rocha, a música tem um poder quase ‘mágico’ de organizar o caos interno. Não é só sensação — é ciência. As frequências e harmonias conversam com o sistema nervoso. Quando você ouve algo que realmente gosta, o cérebro libera dopamina, o hormônio do prazer, e reduz o cortisol, o hormônio do estresse. É como se a música desse um ‘reset’ biológico no seu estado de alerta. Ela induz o cérebro ao relaxamento profundo, similar à meditação, reduzindo a ansiedade em até 65%.”
Fiquei convencido.
A partir de hoje, vou usar meu tempo livre — ou de lazer — para ouvir as músicas que aquecem meu coração: instrumentais, bossa nova, samba de raiz, a MPB dos anos 70, 80 e 90, e os Flashbacks internacionais que embalaram minha juventude.
E, pelo bem do meu espírito, darei um tempo nas notícias ruins que insistem em nos bombardear desde as primeiras horas da manhã até os telejornais que antecedem o sono.
Talvez assim, com menos tragédia e mais melodia, eu reencontre o equilíbrio que o mundo andou tentando me roubar.
O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.
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