Por José Rocha – Hoje fui à Bodega do Tio Manoel Viana comprar limão. Chegando lá, a notícia caiu como pancada de chuva fora de época: estoque zerado.
Pra não perder a viagem, comprei uma Kaiser. Afinal, limão falta, mas sede não espera.
Aí me lembrei do Tontonho do Igarapé de Manaus, apreciador confesso de um “veludo no gogó”. O cabra foi até o famoso buteco Casa da Sogra. Chegando lá, tudo fechado. Bateu na porta com vontade. Surgiu um desconhecido:
— Pois não, senhor?
— Eu quero uma dose de cachaça!
— Senhor, aqui não é mais bar. Vai virar uma drogaria!
Tontonho, sem perder o rebolado, respondeu na lata:
— Então me dá uma dose de Tiaminose na veia, pra não perder a viagem!
Antes de fazer uma cirurgia de catarata, fui aconselhado a comprar um óculos escuro. Entrei numa loja de grife e perguntei quanto custava um óculos Ray-Ban top de linha. A vendedora disse que tinha um modelo Meta, com câmera e recursos de Inteligência Artificial, ao preço de R$ 3.800,00.
Pra não perder a viagem, agradeci educadamente e fui até a Chinatown Bare comprar um óculos “Ray-Mundo” por quinze contos.
Na volta, encontrei um amigo olhando pro céu, preocupado:
— Rocha, o tempo tá fechando… será que vai chover?
— Vai mermo!
Ele olhou pro vento, fez aquele cálculo de meteorologista de esquina e concluiu:
— Acho que essa chuva o vento tá levando lá pra Iranduba. Vou pra lá agora. Quando eu chegar, a chuva já passou. Assim não perco a viagem!
Pois é…
Porque, neste mundo, tudo pode faltar — menos a desculpa pra não perder a viagem! 😄🍺🌧️
O autor é manauara, administrador (UFAM), blogueiro (BLOGDOROCHA), criador de conteúdos digitais, escritor e pesquisador da nossa cultura.



