Uma onda de calor combinada com seca e ventos fortes tem provocado uma série de incêndios florestais em diferentes regiões da Europa. França, Espanha e Itália enfrentam focos de grandes proporções, com milhares de hectares destruídos, moradores evacuados e bombeiros mobilizados em operações de emergência.
Na França, sindicatos alertam para o desgaste físico e psicológico dos bombeiros após a morte de três agentes em 15 dias. Dois deles morreram na terça-feira (21), na região de Bordeaux.
A situação é crítica no departamento de Var, no sul do país. Cerca de 400 moradores ainda estavam fora de casa na quarta-feira (22), enquanto as equipes combatiam um incêndio que já havia destruído 2,5 mil hectares.
Mais de 1,1 mil bombeiros participam da operação, com apoio de dois aviões Canadair, três helicópteros e duas aeronaves Dash. Apesar de o avanço das chamas ter sido contido em alguns pontos, áreas como Cotignac registram extensas áreas queimadas, veículos destruídos e imóveis danificados.
Segundo dados preliminares, pelo menos 50 residências foram atingidas na região da Provença Verde, entre Toulon e o Parque Natural do Verdon. Dez casas foram completamente destruídas.
Desde janeiro, mais de 42 mil hectares foram consumidos por incêndios na França, superando o recorde registrado em 2022 para o mesmo período.
Na Espanha, um incêndio próximo a Guadalajara, a cerca de 100 quilômetros de Madri, já devastou 32 mil hectares e provocou a evacuação de aproximadamente 1,2 mil pessoas de 40 vilarejos.
O incêndio é considerado um dos mais graves da história recente de Castela-La Mancha e representa quase 25% de toda a área queimada na Espanha em 2026.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, associou o aumento dos incêndios aos efeitos das mudanças climáticas. Desde o início do ano, o país registrou 22 grandes incêndios, quatro vezes mais do que no mesmo período de 2025.
A destruição também preocupa especialistas devido aos impactos sobre a biodiversidade e à possibilidade de aumento da mortalidade de animais na região atingida.
Na Sicília, a combinação de seca, ventos quentes e temperaturas acima de 40°C também favoreceu a propagação das chamas. Desde sábado (18), mais de mil focos de incêndio foram registrados na ilha.
A situação levou a Defesa Civil italiana a classificar a emergência como grave. O fogo obrigou a retirada de cerca de 100 moradores e o resgate de 22 pacientes de uma clínica. Além disso, aproximadamente 20 municípios tiveram o abastecimento de água potável interrompido.
Em algumas localidades, as temperaturas ultrapassaram os 45°C. A Sicília é considerada uma das regiões mais vulneráveis à desertificação na Europa, processo agravado pelo aquecimento global e pela redução prolongada das chuvas.



