O governo do Irã acusou os Estados Unidos de desrespeitarem o cessar-fogo em vigor desde abril após ataques realizados na província de Hormozgan, no sul iraniano. Em nota divulgada nesta terça-feira (26), Teerã afirmou que Washington será responsabilizado pelas consequências das ações militares.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Irã, os ataques representam uma “grave violação” da trégua estabelecida entre os dois países. O comunicado também classificou as operações americanas como “agressivas e injustificadas”.
A manifestação ocorreu após o Comando Central das Forças Armadas dos EUA anunciar operações que definiu como ações de autodefesa na região.
Mais cedo, a Guarda Revolucionária iraniana declarou que o país mantém o direito de responder militarmente a qualquer violação do cessar-fogo. O grupo afirmou ainda ter abatido um drone americano MQ-9 e realizado disparos contra um caça que teria invadido o espaço aéreo do Irã.
Em mensagem publicada no Telegram, o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que os países da região “não servirão mais de escudo para bases americanas”. Ele também reforçou críticas aos Estados Unidos e a Israel.
Mesmo com o aumento das tensões, as negociações diplomáticas seguem em andamento. O cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, enquanto representantes dos dois países tentam construir um acordo definitivo para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro.
Na segunda-feira (25), autoridades iranianas participaram de reuniões em Doha, no Catar, para discutir avanços nas negociações. Entre os temas debatidos está a liberação de cerca de US$ 24 bilhões em recursos iranianos bloqueados no exterior, considerado um dos principais obstáculos para o entendimento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também voltou a defender a ampliação dos Acordos de Abraão, tratados que aproximam países árabes de Israel, e sugeriu que um acordo de paz com o Irã pode depender desse movimento diplomático.



