A Organização das Nações Unidas (ONU) demonstrou preocupação com a escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos e defendeu a continuidade do diálogo diplomático para evitar um conflito.
O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou nesta sexta-feira (20) que a entidade acompanha com apreensão o aumento da retórica entre os dois países, além da intensificação de exercícios militares e da presença naval na região. Segundo ele, Washington e Teerã devem priorizar negociações para resolver o impasse.
A manifestação ocorre após o envio de uma carta do embaixador iraniano nas Nações Unidas ao secretário-geral António Guterres, posteriormente encaminhada ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, informou que o governo iraniano prepara uma contraproposta após as recentes negociações nucleares com os Estados Unidos. Segundo ele, o rascunho deve ser concluído nos próximos dias e novas tratativas podem ocorrer dentro de cerca de uma semana.
Araqchi alertou que qualquer ofensiva militar comprometeria as chances de avanço diplomático.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que avalia a possibilidade de um ataque limitado como forma de pressionar Teerã a firmar um acordo. Na quinta-feira (19), Trump estipulou prazo de 10 a 15 dias para que o Irã apresente avanços nas negociações sobre seu programa nuclear, sob risco de enfrentar “consequências severas”.
De acordo com autoridades americanas ouvidas pela agência Reuters, o planejamento militar dos EUA estaria em estágio avançado, incluindo alternativas que vão desde ações pontuais até operações mais amplas, dependendo de decisão presidencial.
Em declarações na Casa Branca, Trump defendeu um “acordo justo” e afirmou diferenciar a população iraniana da liderança do país. O presidente citou repressões recentes em Teerã e mencionou números elevados de mortes, que não puderam ser confirmados de forma independente.
A organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, informou ter contabilizado 7.114 mortes confirmadas e declarou que outros 11.700 casos seguem sob análise.
A escalada ocorre em meio ao reforço da presença militar norte-americana no Oriente Médio, ampliando os temores de um conflito regional caso as negociações diplomáticas não avancem.



