A Guarda Revolucionária do Irã anunciou neste sábado (18) a retomada do bloqueio ao Estreito de Ormuz, em resposta à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as sanções e restrições aos portos iranianos permanecerão “em pleno vigor” até a formalização de um novo acordo nuclear.
Em comunicado oficial, o comando militar iraniano afirmou que voltou a exercer controle rigoroso sobre a via marítima, responsável pelo transporte de cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Segundo a nota, o bloqueio será mantido enquanto persistirem as medidas impostas por Washington.
A decisão reverte uma breve flexibilização registrada após a trégua de 10 dias entre Israel e o Hezbollah. O governo iraniano sustenta que a postura norte-americana viola o cessar-fogo mediado pelo Paquistão, estabelecido para encerrar semanas de confrontos diretos e indiretos envolvendo países da região.
Com a nova restrição, o cenário de otimismo observado no mercado internacional na última sexta-feira (17) foi interrompido. A expectativa de avanço diplomático havia pressionado para baixo os preços do petróleo, mas analistas agora projetam alta nas cotações e redução na oferta global.
De acordo com a empresa de análise Kpler, a circulação de navios na região passou a depender de autorizações específicas de Teerã. Já o Comando Central dos Estados Unidos informou que, desde o início da semana, forças norte-americanas interceptaram e redirecionaram ao menos 21 embarcações.
Considerado estratégico, o Estreito de Ormuz é frequentemente utilizado pelo Irã como instrumento de pressão geopolítica diante das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Enquanto isso, o governo americano mantém a estratégia de restrições para forçar o país a aceitar termos mais rígidos relacionados ao seu programa nuclear.
A escalada de tensões reacende preocupações no cenário internacional sobre o risco de uma nova crise energética, com impactos diretos no abastecimento global de combustíveis.



