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Japão prepara novas regras para mercado milionário de cartas Pokémon; entenda

O governo do Japão começou a discutir a criação de novas regras para o mercado de cartas colecionáveis, que apresentou forte crescimento nos últimos anos e passou a movimentar valores bilionários. A proposta busca combater problemas como falsificação, roubos, lavagem de dinheiro e especulação envolvendo itens raros de franquias como Pokémon e Yu-Gi-Oh!.

A discussão é conduzida por um grupo ligado ao Partido Liberal Democrático (PLD), que considera que as cartas deixaram de ser apenas produtos de entretenimento e passaram a funcionar como ativos de alto valor financeiro. Para as autoridades, a rápida expansão do setor criou desafios que exigem maior atenção e fiscalização.

Nos últimos quatro anos, o mercado de cartas colecionáveis cresceu cerca de 90% no Japão e movimentou aproximadamente 338 bilhões de ienes, o equivalente a cerca de R$ 10,49 bilhões. O segmento, antes concentrado principalmente entre fãs e colecionadores, passou a atrair investidores interessados na valorização de cartas raras.

Um dos episódios que evidenciou o potencial financeiro do mercado ocorreu em fevereiro, quando uma carta Pikachu Illustrator, produzida em 1998 e pertencente ao youtuber Logan Paul, foi vendida por aproximadamente US$ 16 milhões, cerca de R$ 81,3 milhões, estabelecendo um recorde mundial.

O alto valor de algumas cartas também chamou a atenção das autoridades para crimes relacionados ao setor. Por serem pequenas, fáceis de transportar e capazes de alcançar valores milionários, as peças podem ser utilizadas em esquemas envolvendo falsificação, roubos e lavagem de dinheiro, inclusive com negociações internacionais.

Outro ponto discutido pelos parlamentares é a influência de empresas dos Estados Unidos na definição dos preços das cartas, apesar de franquias como Pokémon e Yu-Gi-Oh! terem origem japonesa. O grupo defende medidas que fortaleçam a propriedade intelectual do país sem comprometer o crescimento da indústria.

Antes de apresentar propostas oficiais, os responsáveis pela discussão devem ouvir fabricantes, comerciantes e outros representantes do setor. A intenção é encontrar um equilíbrio entre o aumento da fiscalização e a preservação de um mercado que movimenta bilhões e reúne colecionadores em diversas partes do mundo.

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