O Museu do Louvre, em Paris, manteve as portas fechadas nesta segunda-feira (20) após o roubo de oito joias da coroa francesa ocorrido na manhã de domingo (19). A operação, realizada em apenas sete minutos, está sendo tratada pela imprensa local como o “roubo do século”.
O ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin, admitiu falhas na segurança do museu. “Falhamos. Os criminosos conseguiram usar um elevador de carga, acessar o prédio e levar joias de valor inestimável, projetando uma imagem deplorável da França”, declarou em entrevista à rádio France Inter.
A ação envolveu quatro suspeitos, que seguem foragidos. Durante a fuga, uma das nove peças levadas foi abandonada — a coroa da imperatriz Eugénie, esposa de Napoleão III. Entre as joias roubadas estão o diadema da imperatriz, adornado com cerca de 2 mil diamantes, e o colar de safiras e diamantes da rainha Maria Amélia.
O assalto ocorreu na Galeria de Apolo, que abriga a coleção real de gemas e os diamantes da coroa. Segundo o Ministério da Cultura, os ladrões usaram uma serra elétrica para cortar uma janela e abrir vitrines. Parte da ação foi registrada por um visitante e mostra os criminosos encapuzados.
Mais de 60 agentes da Brigada de Repressão ao Banditismo e do Escritório Central de Combate ao Tráfico de Bens Culturais participam da investigação. Um colete amarelo encontrado no local está sendo periciado.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que o caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade dos museus franceses. Um relatório do Tribunal de Contas, que será divulgado em novembro, aponta deficiências graves no sistema de vigilância do Louvre. No setor Denon, onde fica a Galeria de Apolo, um terço das salas não possui câmeras de segurança — e, no setor Richelieu, esse número chega a três quartos.
As autoridades acreditam que as joias não possam ser revendidas em seu estado atual, pois estão registradas em inventários reais e imperiais. Especialistas apontam que o ouro e as pedras podem ser derretidos ou lapidados novamente para ocultar a origem.
O presidente Emmanuel Macron prometeu recuperar as peças e levar os autores do crime à Justiça. A reabertura do Louvre está prevista para quarta-feira (22), já que o museu não funciona às terças-feiras.
Esse é o primeiro roubo registrado no museu desde 1998, quando uma pintura de Jean-Baptiste-Camille Corot desapareceu e jamais foi encontrada. O episódio reacende preocupações sobre a segurança do patrimônio cultural francês após recentes furtos em outros museus do país.



