O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), definiu as diretrizes da sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas nas eleições de outubro. Com a renúncia ao cargo prevista para abril, o gestor pretende concentrar esforços na ampliação de apoios no interior do estado e assumir postura de enfrentamento ao governador Wilson Lima (União Brasil).
A estratégia do prefeito mira o fortalecimento de bases fora da capital. Diferentemente do senador Omar Aziz (PSD), que conta com apoio expressivo de prefeitos, Almeida aposta na articulação com vereadores, ex-prefeitos e lideranças regionais.
De acordo com o prefeito, sua estrutura política, que em 2018 alcançava 20 municípios, hoje está presente em 57 cidades. Ele também minimiza o impacto das administrações municipais no resultado de eleições estaduais, citando o desempenho obtido no pleito de 2018 frente a candidaturas respaldadas por grandes alianças.
No cenário eleitoral, Wilson Lima é apontado como principal alvo. Almeida pretende se posicionar como líder da oposição ao governador, com críticas direcionadas principalmente às áreas de saúde e educação. O prefeito também descartou qualquer reaproximação com o vice-governador Tadeu de Souza, buscando afastar-se da indicação feita na eleição de 2022.
Em relação à empresária Maria do Carmo Seffair (PL), a estratégia deverá associá-la ao que classifica como “velha política”. A pré-candidata é casada com Wellington Lins, integrante de família tradicional na política local, ponto que deve ser explorado no debate eleitoral.
Já quanto a Omar Aziz, o prefeito acompanha a definição da chapa do senador. A eventual indicação do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade, como candidato a vice é vista como fator que poderia reforçar um cenário de polarização na disputa.
A relação entre David Almeida e Wilson Lima se deteriorou após as eleições de 2022, especialmente depois da revogação de convênios entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus. Uma tentativa de reaproximação no fim de 2025 não avançou diante da exigência do prefeito pelo pagamento de repasses pendentes.
Almeida reafirma que deixará o cargo em abril para se dedicar integralmente à campanha e avalia que, a partir de então, as pesquisas eleitorais deverão refletir com maior clareza o cenário da corrida ao Palácio da Compensa.



